Segunda-feira, 23 de Junho de 2008.

Tive minha primeira oportunidade no colégio. Segundo ano do ensino complementar, um parceiro de truco disse que podia arranjar com facilidade. “É patati, patati, patatá. Tá aqui, tá na mão”, afirmava ele num sotaque porto-alegrense absurdamente irritante. Senti medo, não queria arriscar. Quase todos na sala já haviam experimentado, eu não. Era um justo motivo de chacota. E eu não aguentava mais.

Terminei o segundo grau marcado por essa abstinência. Alguns chegaram a virar o rosto. Fui ameaçado e tudo mais. Na faculdade esperei encontrar um novo mundo. Deparei-me com o grande sucesso e repercussão que tal tinha entre os estudantes de comunicação. Nos intervalos, na lanchonete, nos corredores e, eu juro que vi, até em sala de aula.

Minha fama de nunca ter experimentado caiu como uma bomba no ambiente acadêmico. Estudantes de outros termos e cursos iam até minha sala ver “o rapaz que não conhecia”. Virei um tipo de mito. Nunca recebi uma palavra de apoio, uma parabenização, uma saudação sequer. Não era justo, achava eu.  Afinal, foi somente uma decisão, uma escolha que eu considerava altamente sensata, nada mais.

Acontece que o clima da universidade foi entrando em conflito com minha personalidade. A euforia das pessoas começava a me contagiar. Eu queria conhecer esse barato. Eu já não era mais um adolescente fácil de ser manipulado, oras. Podia muito bem experimentar e pular fora, como vários conseguiram. Vários não, alguns.

Sucumbi. Colhi informações de um lugar seguro para encontrar. Ouvi dizer que no campus da Universidade Federal é fácilmente comercializado. Foi na tarde fria da última sexta-feira que tive meu primeiro contato. Comprei de uma jovem magra, de roupas rasgadas, que dizia  estar vendendo para pagar o curso de inglês. Não quis entrar em maiores detalhes. Paguei em notas pequenas, como pedia ele.

A viagem até minha casa foi longa. Do banco do passageiro parecia me encarar. Volta e meia o observava de canto de olho. Quem diria. Eu, orgulhoso confesso, iria ceder a pressão de um bando de viciados inconvenientes marxistas. Experimentei. Assim como um dia experimentei cerveja sem álcool, outro momento nem um pouco inóspito da minha vida e que não vem ao caso.

Foi exatamente na madrugada de sexta para sábado, por volta de 2h, que aconteceu. Não conseguia dormir sabendo da sua presença numa gaveta há poucos metros de distância. Consumi enquanto ouvia o disco Dark Side of the Moon, do Pink Floyd - dica de uma amiga que tinha experiência no assunto. Comecei aos poucos, tentando entender. Tudo muito lindo. Foi ficando cada vez mais incrível. Curti. Maior onda.

Vi sábado e domingo passarem e eu não largava. Tornei-me refém de meu maior medo no passado. Descobri quantos anos perdi sem conhecer essa sensação. Quantas amizades rompi, quantas discussões não participei, quantas portas não se abriram. Fraco, fui um fraco. Mal comecei e já me sinto melhor. Porém, quando largo, sinto que o mundo vai acabar. Trêmulo, ainda não falei com ninguém.

Sinto-me quase dependente.

Desde sexta-feira não consigo largar Hamlet, do Shakespeare. Estou na página 122, faltam poucas. Por isso leio devagar, pra não acabar de uma vez.

Sempre tive pavor dos clássicos, sempre. Oscar Wilde, Thomas More, Leon Tolstói, entre outros.  É  inexplicavel, sério, nem tente entender. Tal como uma droga, o meu respeito por esses escritores superou a admiração. Eles definitivamente me intimidavam.

Mas, depois de Shakespeare, estou começando a perder o medo. Pretendo experimentar outros. Quem sabe, assumir o vício.

Enfim, estou limpo.

¹ O Wallace de Oliveira está dando os toques finais na produção do maior #nob (Nerds on Beer) da história.

² Um detalhe bacana do #nob: blogueiros vão comandar o som. Prometo tocar um set tão bom que vai ser quase um oit.

³ Dica da Thalita Braga: o blog dela.

Fred Fagundes

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008.

no Taco. Talvez eu tenha sido a maior promessa do taquismo amador matogrossense nos últimos 30 anos. Ao lado de meu leal parceiro Cebeve - sigla para Cabelo de Boneca Velha -, tive uma louvável carreira de 137 partidas, sendo 133 vitórias, três cancelamentos devido a bolinha perdida e uma única derrota. A mais dolorosa e sofrível derrota desde o Maracanazo.

Você deve estar se perguntando: como diabos ele sabe esses números? Eu explico. O Taco era levado muito a sério naquela época. Depois do futebol de botão, Taco era o jogo chefe. Tinhamos campeonatos mensais, com medalha, troféu, um caderno oficial de regras e até uma pequena federação. Os tacos deviam estar dentro da norma pre-estabelecida, com pontas numa inclinação de 40 graus, que é a inclinação exata para um taco de Taco.

O meu taco tinha nome: matilde. Eu e a matilde fizemos história. Eu era um daqueles caras sortudos. Mandava bem na sinuca, boliche, truco, pingue-pongue, pembolim, saca? Mas no Taco eu era um monstro. Tinha uma tacada incomparável, daquelas que a bolinha saia riscando o chão e gritando “ziiiiiiiiiiiium” antes de destuir a casinha em forma de lata de azeite. Cataplof! Ouvia-se a duas quadras de distância: cataplof!

Certa vez, num jogo especial de fim de ano, dei uma tacada tão violenta que, ao raspar o chão, fez-se uma faísca. Foi a primeira vez na história que o impacto de madeira com terra resultou no quarto elemento. Uma faísca tão grande que seguramente explodiria um posto de gasolina caso houvesse algum dentro de um raio de 100 metros.

Que taco era aquele, a matilde.

Foto: http://www.jogos.antigos.nom.br/tacos.asp

Em junho de 1998 sediamos o Centro Oeste de Taco, com jogadores de Goiás, Brasília e Mato Grosso do Sul. Eu e Cebevê tinhamos a vaga automática pela título de campeões estaduais do ano interior. O prêmio: vaga para o Campeonato Nacional de Taco, em São Paulo. O negócio era pra valer. O bixo ia pegar. A cobra ia fumar. E outras figuras de linguagem do gênero.

No primeiro jogo passamos com facilidade pelos co-irmãos sul matogrossenses. Praça lotada, mais de 150 espectadores. Depois patrolamos Brasília, outra dupla de MS e outra do DF. Estávamos na final com a última dupla de Goiânia: os irmãos Luque e Kempes. Não dessem certo no Taco, certamente iam enveredar para a música sertaneja.

A decisáo começou com atraso. Os inimigos entraram com tacos fora do padrão, ocos, recusados pela comissão arbitrária. Rapidamente os eliminados de MS se apresentarem para emprestar o taco. Traíras. A famosa catimba goiania começava a dar suas caras.

Jogo truncado. Estavamos no desempate, com eu e Cebevê no ataque. Logo na primeira oportunidade matilde mostrou para que veio. Uma paulada, daquelas que mostram em slow motion a bolinha ficando quatro vezes menor. Um tiro de tresoitão certeiro. O destino da esfera seria, sei lá, a lua, tamanho foi a paulada. Mas Kempes esticou-se de forma assustadora e efetuou a ponte, fazendo uma interceptação absolutamente fenomenal. Perdemos o taco.

http://www.jogos.antigos.nom.br/tacos.asp

Era eu o responsável pelo primeiro arremesso. Rodeado de torcedores, senti que não podia falhar. Eu, mesmo não sendo dessa terra, era a última esperança. Não podia perder. Não, não desta vez. Não para uma dupla de Goiás. Não para uma dupla de Goiás com nomes argentinos. Não para uma dupla de Goiás com nomes argentinos que tinham o patrocínio do Zezé di Camargo no uniforme.

Deferi meu arremesso com a concentração de um jogador porto riquenho de baseball. Forte, seco, com direção. Mas surgiu no caminho o taco sul-matogrossense naturalizado goiano. E lá se foi a nossa vaga no nacional. Até hoje não se tem notícias daquela bolinha que, creio eu, deve orbitar em paz à volta da Terra.

Defino esta derrota como um exemplo da síndrome brasileira de favoritismo. Não sabemos ser. Eu estava invicto até aquele dia, jogava em casa com apoio de centenas. Mas perdi. Assim como perdemos as Copas do Mundo de 1998 e 2006, onde eramos favoritos. Assim como Daiane dos Santos tropeçou nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004.

Somos azarões por natureza. Exemplos não faltam, como na Copa de 1994 e 2002, pra ficarmos só no futebol. Talvez essa classificação suada para 2010 seja melhor do que uma com folga. A soberba afeta o ego de forma involuntária e negativa. Não existe motivação maior para um esportista do que a desconfiança de seu torcedor. Excesso de otimismo só atrapalha.

Eu e matilde sabemos.

O Quem Matou a Tangerina?, em parceria com o ObaBox, lança hoje o exclusivo Papel de Parade Dinâmico do Campeonato Brasileiro 2008. Agora, além de ter seu time do coração no desktop, você vai acompanhar a classificação e as últimas notícias do Brasileirão em tempo real.

Isso tudo sem precisar entrar em site nenhum. Só ligar o computador. Dá uma olhada como ficou aqui:

Esse modelo do Quem Matou a Tangerina? estará disponível em breve. Enquanto isso, experimente fazendo o download do papel de parede do seu time.

Em tempo: a tabela não fica fantástica com o Grêmio na ponta?

¹ O pessoal do Sedentário divulgou um site que extrai somente o áudio de vídeos do Youtube. Útil.

² O blog Anti-Sociais quer saber: Qual a importância?

³ Já acessou a fêmea do Exú hoje?

Fred Fagundes

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008.

O American Film Institute (AFI) divulgou nesta quarta-feira o resultado de uma eleição que mobilizou críticos, produtores, diretores e atores consagrados no cinema mundial. Foram selecionadas as 100 melhores obras cinematográficas dos últimos 100 anos divididas em 10 categorias. Os vencedores foram os seguintes:

Desenho Animado:
“Branca de Neve e os Sete Anões” (1938)

Comédia Romântica:
“Luzes da cidade” (1931), de Charles Chaplin

Faroste:
“Rastros de ódio” (1956), de John Ford

Esportivos:
“Touro indomável” (1980), de Martin Scorsese

Mistério:
“Um corpo que cai” (1958), de Alfred Hitchcock

Fantasia:
“O mágico de Oz” (1939), de Victor Fleming e King Vidor

Ficção Científica:
“2001: Uma odisséia no espaço” (1968), de Stanley Kubrick

Gângsters:
“O poderoso chefão” (1972), de Francis Ford Coppola

Tribunais:
“O sol é para todos” (1962), de Robert Mulligan

Épico:
“Lawrence da Arábia” (1962), de David Lean

Após um longo e desgastante estudo, cheguei aos 10 melhores filmes (por gêneros) segundo a Bergamota Film Institute. Començando por Desenho Animado e mantendo a seqüencia da co-irmã estadunidense.

Pesquisando sobre O Rei Leão (1994) observei detalhes que eu definitivamente não lembrava. Por exemplo: a voz do pássaro Zazu é de Rowan Atkinson, o Mr. Bean. Já o protagonista Simba foi dublado por Matthew Broderick, o pop Ferris Bueller de Curtindo A Vida Adoidado. Observações que auxiliam a justificar minha indicação de O Rei Leão para o melhor desenho animado já feito.

Ganhou 2 Oscars: Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original com “Can You Feel the Love Tonight”, do Elton John. Foi o maior sucesso de bilheteria da Disney durante muito tempo, rendendo 790 milhões de dólares ao redor do mundo. E fez até o Chuck Norris chorar com a cena da morte de Mufasa, o pai do Simba.

Eu tenho um amigo que sempre diz: “não assista comédias românticas. Elas te fazem acreditar em algo que não existe”. Não sou tão radical assim, mas também nem um pouco otimista quanto a comédias românticas. Contudo, volta e meia me rendo ao gênero. Minha favorita é Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), do Woody Allen. O filme foi um marco na carreira do diretor. Abocanhou quatro Oscars, inclusive o de Melhor Filme.

Noivo neurótico, noiva nervosa conta a históriade um humorista judeu e divorciado (Woody) que faz análise há quinze anos. Ele acaba se apaixonando por Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora em início de carreira com uma cabeça um pouco complicada. O casal se esbalda em diálogos cômicos/profundos sobre casamento, sexo e afetos múltiplos.

O filme, baseado num ensaio de Peter Cowie, ainda tem uma ponta de Christopher Walken. Comédia leve, agradável, engraçada e romântica. Necessariamente nessa ordem.

O mais incrível de Os Imperdoáveis (1992) é que seu roteiro ficou 20 anos rodando de mão em mão em Hollywood à espera de alguém que resolvesse filmá-lo. Quis o destino que Clint Eastwood, notável ator de faroeste nos anos 70, o dirigisse. E também atuasse.

Eastwood é um pistoleiro aposentado que volta à ativa quando lhe oferecem 1000 dólares para matar os homens que cortaram o rosto de uma prostituta. Neste serviço, dois outros pistoleiros o acompanham. Eles tretam com um inglês (Richard Harris) - que também deseja a recompensa - e um xerife (Gene Hackman). Morgan Freeman também está no elenco.

Quatro Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Gene Hackman) e Melhor Montagem.

Rocky - Um Lutador foi seguramente o maior e melhor filme esportivo de todos os tempos. Escrito por Sylvester Stallone e dirigido por John G. Avildsen (o mesmo de Karate Kid), Rocky é um dos poucos filmes que conheço que pode ser reflexivo, motivacional, cômico, emocionante e agradável em sentido de entretenimento. Tudo junto.

O filme conta a história de um ítalo-americano fracassado, ignorante e sem perspectiva nenhuma de vida. Por um acaso, ele acaba sendo convidado para uma luta de exibição contra o campeão mundial de pesos pesados. Com uma trilha sonora primordiosa, Rocky cativou o público pela sua paixão e imensurável força de vontade.

Tanto esforço rendeu o título de Melhor Filme daquele ano.

Estranhei o fato de Seven (1995) não estar nem entre os 10 melhores do gênero mistério da AFI. Bom, na Bergamota Film Institute o thriller de suspense aparece em primeiro lugar.

Recheado de estrelas, Seven fez enorme sucesso. De roteiro dinâmico e intrigante, capta a atenção do espectador de formato assustador. A história se desenvolve durante uma série de crimes que tem como base os sete pecados capitais. Dois policias investigam os assassinatos, um à beira da aposentadoria e outro iniciando sua carreira: Morgan Freeman e Brad Pitt.

Curiosidade: O número 7 aparece em diversos momentos ao longo do filme. O detetive Somerset é convidado para jantar às 7 pm e todos os prédios que aparecem na cena de abertura começam com o número 7.

Além dos citados acima, Gwyneth Paltrow e o excelente Kevin Spacey fazem parte do elenco.

Joshua Baskin. Esse nome diz algo pra você? Exato, o papel que rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator a Tom Hanks em Big (1988) - ou Quero Ser Grande. A absolutamente primorosa atuação de Hanks no filme fez dele uma das comédias mais repetidas na Sessão da Tarde.

O diretor inicialmente encarregado de levar Quero Ser Grande às telas de cinema era Steven Spielberg, que pretendia escalar Harrison Ford para o papel principal. Dá pra imiginar o Indy tocando o “Bife” naquele piano gigante? Não mesmo.

Para que Hanks tivesse a exata noção de como deveria se comportar um garoto de 12 anos na pele de um adulto, a diretora Penny Marshall inicialmente gravou todas as cenas de Hanks com o ator David Moscow, que interpreta Josh aos 12 anos, em seu lugar. Com isso, Hanks procurou apenas copiar o modo de agir de Moscow ao interpretar seu personagem.

Zoltar era o nome da máquina que fazia ele virar adulto.

Como fã do Ridley Scott, não podia deixar de indicar Blade Runner - O caçador de andróide (1982) como o melhor filme de ficcção científica. Considero esse filme um verdadeiro paradigma para a cinematografia atual. Certamente o longa que eu mais assisti repetidamente. Preciso parar antes que enlouqueça.

Com Harrison Ford e Rutger Hauer, o filme se passa em 2019. Uma corporação desenvolve um robô mais forte e ágil que o ser humano. Eles são utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando o grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte.

A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra.

Baita filme.

Odeio admitir, mas no gênero gângsters sou obrigado a concordar com a lista da AFI: O Poderoso Chefão (1972). Seja pela influência ou pelas laranjas cena que sempre indicavam que alguém ia morrer ou ocorreria algum atentado, a saga da família Corleone contada pelo diretor Francis Ford Coppola e o roteirista Mario Puzo foi o maior filme de todos os tempos e não se fala mais nisso.

Algo interessante é que o papel de Michael Corleone foi oferecido inicialmente a Warren Beatty, Jack Nicholson e Dustin Hoffman. Todos recusaram. Somente após, pela falta de opções, Al Pacino foi escolhido para o papel. Assim como um dos cotados para o papel de Vito Corleone foi Laurence Olivier.

O Poderoso Chefão é uma sucessão de cenas antológicas. Indispensavel em qualquer colação de DVD’s.

A primeira vez que assisti 12 Homens e Uma Sentença (1957) foi altamente sem querer, numa madrugada no Corujão. O filme é totalmente teatral, passado 95% dentro de uma sala. Por mais que possa parecer, o filme não te deixa dormir. É agoniante, de voltas e vindas e diálogo envolvente. Com direção do genial Sidney Lumet, 12 Homens e Uma Sentença tem Henry Fonda entre os jurados.

Os doze jurados devem decidir se um homem é culpado ou não de um assassinato, sob pena de morte. Onze têm plena certeza que ele é culpado, enquanto um não acredita em sua inocência, mas também não o acha culpado. Decidido a analisar novamente os fatos do caso, o jurado não deve enfrentar apenas as dificuldades de interpretação mas também a má vontade e os rancores dos outros jurados.

As discussões são sempre de altíssimo nível. Você acaba tomando partido igualmente aos jurados. Próximo do fim, ou você vai torcer pela inocência do rapaz, ou pela culpa. Ou vai ficar muito confuso.

No gênero epico fiquei em dúvida entre Coração Valente (1995) e Gladiador (2000). Escócia ou Roma? William Wallace ou Maximus? Difícil. Porém, uma cena do Gladiador ganhou minha preferência.

Após descer até a arena e ordenar que o gladiador - então conhecido como Espanhol - identifique-se, o imperador Commodus fica revoltado com a reação do súdito ao virar-lhe as costas. Então, ele ordena: “- Diga seu nome”.

E o gladiador diz:

“Meu nome é Maximus Decimus Meridius, comandante dos exércitos do Norte, general das legiões de Felix, servo leal do verdadeiro imperador, Marcus Aurelius. Pai de um filho assassinado, marido de uma esposa assassinada. E eu vou ter minha vingança. Nessa vida ou na próxima.”

Tchê bagual esse Maximus.

Sentiu falta de alguma filme? Ótimo.

Afinal, listas de melhores só existem para discordarmos delas. :)

Fred Fagundes

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008.

Antes de qualquer coisa: esse time que vai jogar contra a Argentina não é a Seleção Brasileira. É somente um punhado de atletas que nasceram no Brasil. A Seleção Brasileira deixou de ser Seleção Brasileira desde que a mercenária CBF, via presidente Ricardo Teixeira, afastou um dos maiores patrimônios da cultura, história e cotidiano brasileiro de quem simplesmente o criou. Nós.

É absolutamente visivel como a seleção perdeu a identificação com o povo brasileiro para tornar-se um reality show caça-níquel. Apontados como jogos “preparatórios” e de “avaliação”, volta e meia  temos uma partida amistosa nos Emirados Árabes ou no leste da Europa, países emergentes e com dinheiro. Sem futebol, com jogadores praticamente amadores, apenas dinheiro. “Apenas” para quem gosta de futebol. O necessário para a CBF.

Foi-se o tempo em que a seleção parava o país. Hoje temos um grupo de jogadores supérfluo, antipático, sem qualquer motivo aparente que nos obrigue a torcer. A seleção é algo distante de todos brasileiros, que joga muito - em quantidade - pelo mundo e pouco para seu torcedor. Desafio: tente recordar qual foi o último amistoso da seleção no Brasil.

Conseguiu? Pois é.

Ricardo Teixeira está à frente da presidência da CBF há 19 anos. Seu quinto mandato consecutivo termina em 2007, mas será prolongado, sob acordo, até o final da Copa do Mundo de 2014. Teixeira costuma vangloriar-se que foi campeáo de duas Copas e finalista de uma. Contudo, não é de seu agrado tratar das acusações de nepotismo, pagamento de viagens para países sedes da Copa do Mundo à magistrados e outras autoridades, importação irregular de uma choperia dos Estados Unidos e a celebração de contratos lesivos para o futebol brasileiro.

O presidente deve assistir o jogo de hoje na Tribuna de Honra do Mineirão ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). A dupla formou uma sólida parceria desde que o neto de Tancredo, quando presidente da Caixa Econômica Federal, não moveu uma palha para elucidar a denúncia sobre a existência de uma máfia na Loteria Esportiva.

Bem mais recentemente, na presidência da Câmara dos Deputados, Aécio ajudou a livrar Ricardo Teixeira de ter seu mandato de presidente da CBF exonerado, embora houvesse provas suficientes na CPIs do Futebol, onde Teixeira é o líder de acusações. Entre as mais graves estão evasão de divisas, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e sonegação de impostos.

O motivo de tal amizade é simples: Copa do Mundo de 2014. Aécio Neves almeja, com todos os agrados, garantir Belo Horizonte como sub-sede da competição. Hoje, no último treino da seleção antes da partida, cerca de 10 mil estudantes de escolas estaduais foram levadas até o Minerão para “apoiar” a seleção. Bobagem. Apenas outro agrado.

Mais uma prova da politicagem envolvendo a seleção estará a mostra logo mais no mesmo Mineirão. Segundo informou o jornalista Juka Kfouri, “dos 57 mil ingressos, apenas 15 mil foram postos à venda. O restante - 42 mil - está concentrados nas mãos de grupos de empresários, políticos, autoridades, vagabundo, filhos da puta, pilantras e ordinários.

Os cambistas já estão a todo o vapor. Os preços que estão sendo praticados são os seguintes:

· Cadeira superior central - R$ 800,00 - valor original R$ 200,00

· Cadeira superior lateral - R$ 300,00 - valor original R$ 50,00

· Cadeira Especial - R$ 1.000,00 - valor original R$ 250

· Cadeira inferior lagoa - R$ 150,00 - valor original R$ 30

· Cadeira Inferior cidade - R$ 150,00 - valor original R$ 30″

A pergunta que fica é: como os cambistas conseguem tantos ingressos e antes de todo mundo? Não sei. Mas não me assustaria se eles fossem simplesmente contratados pela CBF.

Agora, o treinador. Dunga não é técnico de seleção. Aliás, Dunga não é técnico e nunca foi de clube nenhum. A CBF tentou fazer do capitão do tetra um novo Jurgen Klinsmann, o ex-jogador que levou a então desacreditada Alemanha até o 3° lugar da Copa do Mundo de 2006. Acontece que a Seleção é Brasileira é muito maior que a Alemã e, depois de uma eliminação ridícula igual a da Copa passada, não é um momento de experiências, mas sim de reconquistar a confiança.

O nosso time é horroroso. Gilberto está em fim de carreira, pra que insistir se em 2010 ele vai estar pior ainda? Dunga mantém o meio de campo baixo, magro, sem força física alguma. Josué e Mineiro foram excelente no São Paulo, mas são jogadores de clube. Nosso camisa 10 é o Diego, uma eterna promessa que joga num time C da Europa. O Robinho só aparece quando o Brasil está vencendo por 4 a 0 e o Adriano, bom, é o Adriano.

Não temos time, muito menos grupo.

Discordo do termo “a pátria de chuteiras” e dos que dizem que futebol é questão de vida ou morte. Futebol é muito mais do que isso. A Seleção Brasileira é muito mais. Porém, a CBF está minando nossos sonhos, nosso prazer de acompanhar futebol. A nossa seleção deixou de ser brasileira há muito tempo. Não temos um líder, um ícone, alguém dentro de campo que nos emocione, que nos orgulhe de torcer como crianças.

Falta um Dunga na seleção.

¹ O último amistoso da Seleção Brasil em casa foi contra a poderosíssima Guatemala na despedida do Romário, em 27 de abril de 2005.

² Palpites pro jogo de hoje: Brasil ganha. Dunga fica, Balise também.

³ É hoje! Rafinha Bastos e Danilo Gentili em Lorotas. As vezes é bom ser blogueiro. :)

Fred Fagundes

Terça-feira, 17 de Junho de 2008.

Um dos mais geniais comediantes que passaram pelo elenco fixo de Saturday Nitgh Live foi seguramente John Belushi - e olha que estamos tratando de um programa que teve Chevy Chase, Dan Aykroyd, Ben Stiller, Mike Myers, Chris Rock, Adam Sandler, Will Ferrell, Jimmy Fallon, Eddie Murphy, entre outros. Foi exatamente no SNL onde Belushi teve seu personagem de maior sucesso: O Jake Blues do Blues Brothers.

Conhecida no Brasil como Os Irmãos Cara-de-Pau, a dupla cômica-musical foi criada totalmente por acaso. Em 1974, Chevy Chase, conhecido por suas imitações do ex-presidentes do Estados Unidos Gerald Ford, foi convidado para um jantar na Casa Branca, onde apresentaria um número. Dan Aykroyd e John Belushi queriam muito acompanhar o colega. Assim, Chase os incluiu sua apresentação como “agentes do serviço secreto”.

Após o sucesso na Casa Branca, The Blues Brothers acabou virando quadro no SNL.

Belushi comandou durante muito tempo um popular programa de rádio chamado The National Lampoon’s Radio Hour, onde recebia músicos e fazia imitações. Chegou a gravar algumas músicas, mas nunca foi reconhecido. O próprio certa vez admitiu: “nem se eu cantasse minhas piadas as pessoar comprariam”. O programa ficou no ar durante dois anos, quando o humorista recebeu o convite para o SNL.

Antes disso, mais exatamente em 1971, Belushi fez grande sucesso no espetáculo The National Lampoon’s Lemmings - um tipo de paródia do Woodstock - fazendo uma imitação esplêndida de Joe Cocker. Anos depois, em 2 de outubro de 1976, Belushi realizou o sonho de cantar ao lado de seu ídolo maior a canção Feelin’ Alright.

Joe ficou claramente incomodado com os exageros de Belushi. Recentemente, num especial do SNL, ele revelou não saber que o humorista surgiria. “Nos ensaios, ele ficava perguntado como seria a minha roupa no show. Eu dizia que não sabia. Quando entrei no palco, ele subiu rapidamente até o camarim e pegou uma roupa igual a minha”, diz o cantor no DVD SNL - 25 Anos de Música.

O show, memorável, foi transmitido ao vivo naquela noite de sábado para mais de 22 milhões de norte-americanos.

John Belushi morreu em 5 de março de 1982, com apenas 33 anos. Ele foi encontrado morto num quarto de hotel em decorrência de uma overdose.

E mundo perdeu um pouco de graça.

¹ John Belushi fez seis filmes. Entre eles, Clube dos Cafajestes e 1941-Uma Guerra Muito Louca.

² Em 1975, no SNL, Chevy Chase tinha um ótimo bordão que parodiava os apresentadores de telejornal: “Eu sou Chevy Chase. Vocês, não”.

³ O pessoal do Nerdcast já havia publicado um excelente vídeo do John Belushi imitando o Joe Cocker.

Fred Fagundes

  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 22 anos e um poço de sinceridade.