Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008.

Calma, você não entrou no blog errado. O novo título é somente uma das inúmeras referências à Semana Farroupilha que o QMaT vai expor até dia 20, data precursora da liberdade.

As comemorações da Revolução Farroupilha - o mais longo e um dos mais significativos movimentos de revoltas civis brasileiros, envolvendo em suas lutas os mais diversos segmentos sociais - relembra a Guerra dos Farrapos contra o Império, de 1835 a 1845. O Marco Inicial ocorreu no amanhecer de 20 de setembro de 1835. Naquele dia, liderando homens armados, Gomes Jardim e Onofre Pires entraram em Porto Alegre pela Ponte da Azenha.

A data e o fato ficaram registrados na história dos sul-ro-grandenses como o início da Revolução Farroupilha. Nesse movimento revolucionário, que teve duração de cerca de dez anos e mostrava como pano de fundo os ideais liberais, federalistas e republicanos, foi proclamada a República Rio-Grandense, instalando-se na cidade de Piratini a sua capital.

A Semana Farroupilha é um momento especial de culto às tradições gaúchas, transcendendo o próprio Movimento Tradicionalista Gaúcho. Ela envolve praticamente toda a população do Estado, se não fisicamente nos locais organizados para festejos, participando das iniciativas do comércio, dos serviços públicos, das instituições financeiras ou das indústrias.

A Semana Farroupilha é regulada por uma Lei Estadual e Regulamentada por um Decreto. Sua organização é feita em duas estâncias, a estadual com a definição de diretrizes gerais, escolha do tema básico e atividades que envolvem as distâncias públicas estaduais, e no nível local onde, na prática ocorrem os festejos as manifestações Culturais, artísticas e onde se realizam as mostras e os desfiles destacando-se o realizado a cavalo.

Em Porto Alegre, a Semana Farroupilha tem seu núcleo concentrado no Parque Maurício Sirotski Sobrinho e oferece uma intensa programação sócio, cívica e cultural, com constituição de um grande Acampamento Farroupilha que tem uma duração de quase 30 dias. Durante a Semana Farroupilha são relembrados os feitos dos Gaúchos no Decênio Heróico (1835-1845), através de palestras, espetáculos, lançamento de livros entre outras atividades.

O que mais me orgulha nesses eventos é ver crianças - como na foto acima - felizes por participarem. Não é algo forçado pelos pais, muito pelo contrário. Você observa o brilho no olhar dos guris. Uma gratificante arantia de tradição viva por mais algumas décadas. Garantia da nossa história de honra e raça repassada para futuras gerações.

Garantia de um rio grande bem guardado.

¹ Mais um merchant sem vergonha do Ivo.

² A foto é do Waldomiro Augusto.

³ Outras e todas as informações sobre a Semana Farroupilha no site oficial.

Fred Fagundes

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008.

Que viagem.

Para ser mais especifico, a minha primeira em grande escala. Em 1996 sai de Porto Alegre no dia 24 de junho para chegar em Cuiabá 48h depois. Na primeira parada, ainda pra abastecer o carro, comprei uma fita (lembra delas?). A partir desse momento, acredite, percorri quase todos os 2206 km de estrada ouvindo Men At Work.

Lembro-me até do setlits: Who Can It Be Now?, It’s A Mistake, Overkill, Be Good Johnny, Everything I Need, Down Under, Overkill (ao vivo). Men At Work virou trilha sonora de viagens. Hoje, graças ao Steve Jobs e o cara que inventou os fones de ouvido discretos, é ainda mais fácil ouvir a extinta banda.

O Men At Work foi criado no início da década de 80. O grande sucesso do grupo, o hit que patrocinou as viagens e turnês pelos Estados Unidos, foi indiscutivelmente Down Under. A música caiu na graça dos jovens e tornou-se um hino extra-oficial de vários movimentos underground’s e musicais da Austrália.

Junto com Down Under, Who Can It Be Now fez grande sucesso no disco de estréia, Business As Usual. O clipe dessa canção foi muito executado na MTV e atingiu rapidamente o primeiro lugar nas paradas americanas. Nesse mesmo ano, 1983, o Men At Work levou o Grammy de Melhor Artista Iniciante.

Verdade seja dita que depois de Business As Usual o Men At Work não emplacou nenhum disco de sucesso. Entre idas e vindas o grupo chegou a se reunir e gravar um álbum ao vivo no Brasil em 1996. Nada antológico, mas longe de ser melancólico.

Volta e meia o vocalista Colin Hay é lembrado em especiais de TV e séries americanas. Uma de suas melhores e mais inusitadas aparições foi no excelente Scrubs. Ele surge como um paciente imaginário de J.D (Zach Braf), testemunha de algumas crises e brigas entre os personagens.

Entre tantas cenas espetaculares de Scrubs, essa eu considero a minha favorita.

Ray ainda participou de uma pancada de filmes, como Georgia (1986), Heaven’s Burning (1997) com Russel Crow e The Craíc (1999). Em 2002 ele casou com a cantora peruana Cecília Noel e voltou a fazer shows. Inclusive, em 2003, fez parte da All Star Band de Ringo Starr. Em 2004, Paul McCartney fez uma seleção das músicas que mais gostava para uma revista inglesa e incluiu a música Going Somewhere, de Colin Hay.

Anos depois, já em 2008, Fred Fagundes viajou novamente até o sul do Brasil, dessa vez Balneário Camboriú (SC). Ele ouviu a mesma fita curtindo e relembrando as paisagens, conversas e medos de 12 anos atrás.

Que viajem.

¹ Atendendo pedido do Alben, aí vai uma dica de blog: O Impressionante.

Fred Fagundes

Terça-feira, 9 de Setembro de 2008.

Veja. Analise. Em seguida, responda.

Não dá vontade de votar no cara?

O material publicitário do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, é um dos melhores já produzidos. Recheado de vetores, simbologia pop e um work art primoroso, os cartazes acima são de um capricho e funcionalidade impressionantes. Observe como eles lembram um poster de cinema, principalmente o quarto da lista, anunciando algo taxado como grande lançamento.

Já o primeiro poster, onde Obama surge olhando para o horizonte sob a palavra progresso, lembra muito uma famoso foto de John F. Kennedy. Lembrando: Obama foi comparado inumeras vezes com esse ex-presidente devido sua juventude, oratória e, principalmente, carisma.

Não bastasse, ainda há o vídeo oficial da campanha do democrata. Com mais de 9 milhões de views no Youtube, o vt conta com a presença de vários artistas cantando um discurso de Obama. Nada de jingles em ritmo suspeito, rimas idiotas ou duplo sentido como estamos acostumados a ouvir por aqui. Um primor de peça. Simples, direta, fria e tocante. Exatamente como deve ser um material persuasivo.

Se Obama será presidente não se sabe. Aliás, prefiro nem arriscar. As lições pra se entender como um presidente é eleito nos Estados Unidos são como as regras do baseball: jamais vou aprendê-las. A publicidade certamente vai ajudá-lo a ganhar alguns mihares de votos, mas isso não quer dizer nada em relação à corrida presidencial.

A única certeza é que Obama deixou a estética da política mais vistosa. A propaganda eleitoral tende a mudar. Obama deu graça na conservadora política americana. Tornou-se ele a última esperança para mudar o rumo do planeta, já que aquele país data a rotina da Terra.

Obama é mais do que pop. Obama é sexy.

¹ Sensacional. Mais de 100 comentário nos último post. Tivemos excelentes respostas, mas duas se destacaram. O Pedro Américo tocou num assunto que ainda me emociona muito: mudança de cidade e distância da família. Já o Júnior citou uma música sensacional e ainda relembrou as manhãs de domingo com o pai, algo que também me traz incríveis lembranças.

Infelizmente não posso dar livros para  todos os leitores que participaram. E como só posso escolher um, fico com a resposta do Pedro Américo:

Sou do interior de Minas. Sempre soube que o meu lugar não era na minha cidade natal. Sempre soube que, mais cedo ou mais tarde, esse pássaro iria voar. Lutei durante dois anos para conseguir botar o pé na estrada e iniciar minha vida. Deixei minha família e namorada. É como diz a música:”preciso viajar agora, pois há muitos lugares que eu preciso ver”/ “este pássaro você não poderá mudar”. Mas como essa música mesmo me ensinou: “Não voe tão alto pássaro livre” eu mantenho os pés no chão e faço cada coisa de uma vez. Pois eu sei que ainda vou voar por muito tempo.

Quando ouço aquele famoso solo de seis minutos lembro da paisagem vista da janela do ônibus. E a vontade de vencer que ele me dá.

Por isso Free Bird, do Lynyrd Skynyrd, é minha música perfeita.

Parabéns, Pedro. E muito obrigado a todos que participaram. Em breve novas promoções desse estilo :)

²Obama é sexy” é uma frase de Arnaldo Jabor dita no Jornal da Globo em abril deste ano.

³ Imagens do Obama coletadas no bom e velho Mexas.

Fred Fagundes

Sábado, 6 de Setembro de 2008.

Existe? Eis uma discussão que rende horas, décadas, cervejas, lembranças e muitas, mas muitas anotações. O que faz uma música ser considerada perfeita? A melodia, o ritmo, a letra, o momento? Nada disso. Uma canção, seja lá qual for, depende de uma única ação para ser eternizada: emocionar.

Pare agora e ouça John Lennon e Vinicius de Moraes. Esses dois gênios - guardadas as devidas proporções - se assemelham numa característica assumida pelos próprios: são péssimos cantores. Péssimos, vozes horríveis se comparadas à de vencedores do American Idol ou cantores de Boy Bands.

Mas eles emocionam. Eram mestres, tinha feeling, capacidade. Shakespeare fazia isso. Ele tocava o coração das pessoas. Pois Lennon e Vinicius eram discípulos do dramaturgo inglês. Com paixão, sensibilidade e um descomunal conhecimento da mente humana eles criaram temas de choros, sorrisos e arrepios.

Desconsidere uma ópera de 30 minutos escolhida por críticos americanos como a música perfeita. Ela terá, provavelmente, esse título graças sua partitura inovadora e perfeita harmonia entre os instrumentos. A música perfeita é que te faz lembrar-se do primeiro beijo, de um passeio na praia, de um dia inesquecível, ou apenas que te faça feliz.

Existem músicas assim, que somem com todos os problemas da vida por quatro minutos. Músicas que você sente ciúmes quando toca no rádio. Músicas que você manda pra uma guria quando quer conquista-lá. Músicas que você ouve num sábado à noite, sozinho, curtindo uma solidão que parece aceitável com aquela trilha.

A música perfeita nada mais é que o resultado de todos os sentimentos reunidos – sejam eles bons ou ruins - numa só atmosfera.

Tenho uma ligação forte com Wish You Were Here. Essa música me traz excelentes lembranças, principalmente o ano que passei em Laguna (SC) ouvindo uma fita do Dark Side Of The Moon num rádio cinza na garagem de casa com meu pai.

Mas eu tenho curiosidade em saber qual é a sua música perfeita. Para dar um incentivo, vou presentear o leitor com o livro Almanaque do Rock (Ed. Ediouro, 2008). São 304 páginas com absolutamente tudo sobre rock and roll por Kid Vinil.

Coisa simples. Deixe um comentário logo abaixo dizendo qual é a sua música perfeita e por que.

Buena sorte.

¹ Recebi hoje pelos correios uma caixa recheada de brindes da grife Spirito Santo. Cartões, adesivos, pôsteres e um belíssimo par de tênis numa embalagem bastante moderna e criativa.

Ao pessoal do marketing da Spirito Santo, meu muito obrigado. E parabéns pela perspicácia e ousadia.

Fred Fagundes

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008.

O que era privilegio do Terça Insana virou mania. Peças e grupos de comédia surgem na mesma velocidade que um vídeo no Youtube se espalha pela blogosfera. Aliadas à essa indispensável ferramenta, as peças de humor estão na moda. E cada vez mais disputadas.

Podemos considerar, sim, o Terça Insana como grande precursor desse estilo no século XVI. Sempre mantendo a linha “povo brasileiro, com seus tipos populares e seus costumes”, o Terça Insana reúne várias esquetes que, a cada mês, mudam conforme uma temática diferente. A criação de Grace Gianoukas ganhou notoriedade e na mídia e foi convidada para um quadro fico no Zorra Total (Seu Banana).

Além disso, O Terça Insana lançou aquele que, antes considerado uma das grandes revelações do humor brasileiro, já é uma realidade: Marco Luque. Foi no papel do taxista Silas Simplesmente e da empregada Mary Help que Luque, fundador da Cia. De Ícones, chamou a atenção de Marcelo Tas e conquistou uma vaga de apresentador do CQC.

Em 2003 o Terça Insana foi o primeiro grupo do formato a lançar um espetáculo em DVD. Era o que faltava para sua popularidade ficar ainda maior, pois logo esquetes inteiras foram parar no Youtube. Essa atitude dos fãs contribuiu para que o Terça Insana conquistasse fama nacional.

Mas, se tratando de Internet, ninguém supera a Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo. O famigerado vídeo do Joseph Klimber foi um dos maiores sucessos da história do Youtube. Por muito tempo, Joseph esteve entre os 30 vídeos mais vistos de todos daquele site. E desse vídeo eu entendo.

Segundo os atores Ricardo Pipo e Welder Rodrigues – o narrador e Joseph Klimber, respectivamente – a primeira amostra do sucesso da esquete eles viram durante uma apresentação em Goiânia (GO). “Quando subi ao palco e disse ‘pois existem pessoas’ o público foi à loucura”, confessou Pipo.

É consenso entre os integrantes do Os Melhores do Mundo que a história do grupo é dividida entre antes e depois aquele vídeo. Tal situação foi repetida no ano seguinte com Hermanoteu na Terra de Godah. Um trecho da peça publicado no Youtube fez com que empresários e patrocinadores esquecessem um pouco Joseph Klimber e questionassem o grupo sobre essa peça.

É, de longe, o melhor grupo de humor do Brasil.

Quem também teve a astúcia para tirar proveito desse veículo foi a galera do stand-up comedy. Assim como os MM, graças à uma apresentação no Programa do Jô, Diogo Portugal virou uma estrela da Internet. O humorista é um dos nomes mais procurados do Youtube. Com agenda lotada, Diogo acabou de chegar de uma turnê no Japão e já tem programado shows na Alemanha ainda este ano.

Outro exemplo é o Clube da Comédia. Criado em 2004 por Rafinha Bastos, Márcio Ribeiro e Henrique Pantarotto, o Clube da Comédia expandiu algo que já era altamente promissor. Trouxe à mídia de massa uma safra louvável de humoristas altamente capacitados. Nomes como Marcela Leal, Fábio Rabin, Oscar Filho, Danilo Gentili e Bruno Motta foram devidamente apresentados pelo Clube da Comédia. No mesmo estilo, há o Comédia em Pé e Comédia a La Carte, para ficarmos em alguns.

Hoje, a grande coqueluche do teatro de humor brasileiro é a técnica de improviso. Brotam dezenas de grupos por mês, uns excelentes, outros nem tanto. A lógica prevalece nesse sentido, humoristas mais experientes protagonizam as melhores companhias: Improvável e Z.É. Zenas Improvisadas.

O Z.É conta com Fernando Caruso, Marcelo Adnet, Rafael Queiroga e Gregório Duvivier. Já o Improvável é cria de Rafinha Bastos, Anderson Bizzocchi, Elidio Santana e Daniel Santana, esses três integrantes da Companhia Barbixas. Os espetáculos mantêm o estilo Whose Line Is It Anyway, com games disputados a partir de sugestões da platéia.

Cada apresentação conta com um convidado diferente. Não há um scritp de diálogos, apenas uma pré-roteiro com a seqüencia dos games que serão disputados. O espetáculo se resume num show de improvisação de seus atores e também do público.

Abaixo, trecho do “Jogo do Troca” na peça dos Improváveis.

O grande trunfo dessa moda é ver como o público está descobrindo o teatro. Algo historicamente tratado como chato e de elite tornou-se um programa agradável e relativamente próximo das classes mais humildes. É uma cultura nova que vem sendo adquirida por quem tinha medo ou simplesmente vergonha de admitir que assistiria uma peça.

E a qualidade desses humoristas é notória. Claro que tem muita gente ruim, mas, como em qualquer área, os melhores se destacam. É bom ver o brasileiro se interessando por esse tipo de cultura e entretenimento. É um avanço intelectual ainda pequeno, mas agradável.

Humor salva. Logo, sorria. :D

Fred Fagundes

  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 23 anos e um poço de sinceridade.