De nada adianta uma ação publicitária voltada para as redes sociais ser genial se não houver um ótimo planejamento. Onde, como e quem atingir. É indispensável ser sutil sem perder a força de persuasão. Com grande satisfação observo o amadurecimento das agências nesse sentindo. O mais recente exemplo é a campanha da Unilever/Cubo.CC criada para a Axe.
Após o teaser publicado em vários blogs (inclusive no QMaT) e uma guerrilha que reuniu dezenas de mulheres de biquíni correndo pelas ruas de São Paulo, chegou a vez dos blogueiros ganharem uma recompensa. Um kit personalizado foi enviado para os chamados “formadores de opinião”. Nele, além do trio de body spray destacado na campanha, várias surpresinhas.
Logo de cara, ao abrir a caixa, surge uma carta assinada por Sabrina Sato. Ela diz que no pendrive que acompanha kit há um presente especial. Trata-se de um vídeo da própria Sabrina mandando beijinhos e destacando o game que conta com a participação dos blogueiros. Veja:
O game citado é o Billions. Você deve correr até o malandrão na praia antes das mulheres e roubar o desodorante. Para deixar o game ainda mais atrativo, você pode jogar com seu blogueiro favorito. Para usar esse meu rostinho de psicopata, basta digitar “Tang” e Enter no momento que surge na tela o personagem.
Durante o jogo aparecem alguns veículos, como um stake e um quadriciclo. Também há um Redbull – que deixa seu personagem mais veloz.
Além da carta, dos desodorantes e do pendrive, o kit acompanha um certificado de gamer e um miniposter (acima) do meu personagem sendo atacado pelas mulheres.
Um gol de letra da Axe por meio da Unilever/Cubo.CC. Deixo meu agradecimento pelo convite e parabenizo os amigos Guilherme Valadares e Pedro Biso, futuros funcionários do mês.
¹ As meninas não ficaram de fora. Só que okit era mais “fofinho”.
² As fotos foram furtadas do Flickr do Ziggy. Inclusive, lá tem muito mais.
Estamos falando daquele clipe que te dá vontade de entrar na TV e salvar os figurantes. Que te faz concordar com quem diz que a MTV envergonha a música. Que te obriga a decorar o nome e procurar no Youtube mais tarde só pra compartilhar com os amigos…
Algumas produções ficam marcadas pelo trashismo. É quando a idéia de inovação acaba não batendo com o produto final. “Gostamos muito do resultado. Infelizmente o público ainda não está acostumado para esse tipo de material”, é a resposta padrão. Anos depois o discurso muda para: “Não sei onde estávamos com a cabeça. Éramos inexperientes”. Normal.
É impossível falarmos sobre cultura pop-trash e não voltarmos aos anos 80. O primeiro de nossa lista tem no seu maior hit um dos piores clipes já lembrados. Misturando cores, 37 tipos de dança e sem sentido aparente, Lionel Richie fez do clipe de All Night Long uma salada de bizarrices.
O figurino é outra maravilha. Lionel veste uma calça à vácuo de couro típica da década. Também vale ressaltar a entrada da bailarina. Sem ninguém entender, ela faz uma entrada triunfal e é seguida por um grupo de dançarinas africanas.
É triste, mas preciso incluir um dos meus músicos preferidos nessa infame lista. O clipe de I Just Called To Say I love You mais parece uma seleção de imagens que passam no videokê, saca? Após quase um minuto mostrando o céu e as nuvens surge na tela um pedaço de terra (?) com a foto do horizonte.
Mas não bastava. Stevie, que até então só aparecia numa imagem destorcida sob o céu, aparece atendendo um telefone cor de rosa e cantando o famigerado refrão.
Ainda bem ele nem viu.
Uma compilação de atores memoráveis e um roteiro brilhante. Assim resume-se Making Love Out of Nothing At All do saudoso Air Supply. A canção, você lembra, é garantia certa em qualquer coletânea Love Songs da Som Livre. Já o vídeo, bom, esse dispensa comentários.
Observe: o figurino futurista logo no início. A interação das backing vocal com a cena. O uso adequado da computação gráfica. E, finalmente, a sábia decisão de usar um membro da banda como ator principal.
Em homenagem do jovem Dorly Neto, a obra prima do Twisted Sisters. Piada em todos os programas de música do mundo, esse We’re Not Gonna Take It é o Cidadão Kane dos clipes ruins. O Pelé. O Michael Jordan. O Cardoso.
Das interpretações até a transformação do ator mirim em vovó-mafalda-do-capeta, esse vídeo conseguiu levar, em definitivo, toda a ironia e bom humor do Twisted Sisters para a tela.
Até com um leve exagero.
Em 1981, antes de ser apenas o George Michael, essa hoje senhora era vocalista do Wham!. Três anos depois ele emplacou um dos seus maiores sucessos: Careless Whisper. E, como a maioria dos grandes sucessos da 80’s, o clipe era bizarro.
Tá, eu confesso. Acho essa música maneira. Apesar de lembrar o Kenny G no começo, a melodia é grudenta e cheia de malemolência. Perfeita para grandes momentos amorosos do ato físico do amor.
Sem contar que é pura trilha de motel.
O clipe, quando muito bom, ofusca a música. Né?
Pff…
Algumas pessoas me chamaram de bairrista, ignorante e burro nos comentários da série de posts sobre a Revoluação Farroupilha. Direito de resposta.
No primeiro post da série está escrito: “O novo título é somente uma das inúmeras referências à Semana Farroupilha que o QMaT vai expor até dia 20”. Ou seja, quem leu isso sabia que, até o dia 20, todos os posts seriam sobre o Rio Grande do Sul. Não precisava reclamar. Apenas voltar dia 21. Ou não.
Sou bairrista. Não me importo se me chamam de ignorante ou burro. Agora, sobre a Revolução Farroupilha, uma coisa parece que não ficou clara: “valeu a pena?”
Valeu. Não sou eu que digo isso. São os livros de historia. O Rio Grande do Sul - por vários motivos, inclusive financeiros - era contra viver como uma colônia portuguesa. A declaração da República Rio-Grandense foi a primeira tentativa de independência do Brasil.
Portanto, antes de dizer que “gaúchos se acham melhores” ou “é muita frescura”, entenda. O gaúcho não é separativista. O gaúcho lutou para ser brasileiro. Trata-se apenas de um povo patriota que gosta de comemorar e expor sua paixão pela terra onde nasceu.
Mas claro que um novo dono da verdade vai discordar em breve.
Peguei o auto do bagual na cara dura. Desci a lomba e parei na baia da nega veia. Chegando lá, tive que fugir de um cusco orelhano. Corri pela cancha do pátio, mas e só cheguei lá a laço e espora. Quando vi, tava atrás da casamata, onde havia uma frigider cheia de cacetinho. Não entendi, catei minha funda e fiz e sai fedendo feito taco. Mas, bá, que vareio.
Tradução:
Peguei o carro do meu pai na cara de pau. Desci pela rua em parei na casa da minha mulher. Chegando lá, tive que fugir de um cachorro abandonado. Corri pela quadra do pátio e só cheguei lá com muito esforço. Quando vi, tava atrás do banco de suplentes, onde havia uma geladeira cheia de pães. Não entendi, peguei meu estilingue e sai correndo. Mas, nossa, que decepção.
No início dos anos 80, quando a dupla Kleiton e Kledir despontou no cenário musical, um crítico do Rio de Janeiro escreveu:
“Kleiton e Kledir é uma dupla de ingleses que canto numa língua que lembra o português”.
E é bem isso. O Rio Grande do Sul carrega vocábulos e expressões interessantíssimas. É um dicionário quase a parte ao da língua portuguesa. Além da colonização alemã, a posição geográfica do Rio Grande do Sul influenciou na popularização de algumas palavras em espanhol. Ou até mesmo no bom e velho portuñol.
A história conta que, em conflito constante com os “castelhanos” (argentinos e uruguaios de ascendência castelhana) e com os portugueses (então colonizadores do Brasil), os gaúchos continuavam ignorando os limites políticos entre os territórios, mas criavam seu próprio isolamento cultural.
Na tentativa de não se identificarem nem com os portugueses (dominadores) e, posteriormente, brasileiros, nem com os espanhóis (invasores), os rio-grandenses criaram um modo particular de vestir, falar e agir, que pouco se diferenciava das características típicas dos gaúchos (lê-se ‘gáutxos’ em espanhol) dos pampas cisplatino e platino. Os hábitos do churrasco, do chimarrão, da indumentária e quase toda a tradição permaneceram muito semelhantes após todo o período de ebulição, mas a língua foi diferenciando-se.
Numa tentativa de mostrar para os “castelhanos” que falava português e para os “imperialistas” que falava espanhol, adicionando-se muitas expressões indígenas e algumas africanas, o gaúcho criou uma linguagem híbrida, compreendida por todas as partes envolvidas no período. Marcado pela grande ligação afetiva do gaúcho por seus animais, a maioria das expressões que se referem a animais, também se referem às pessoas.
O sotaque é outra grande marca do gaúcho. Algumas meninas acham uma graça, por sinal. Mas abrem-se parênteses para falar do sotaque gaúcho. O modo de falar do Porto Alegre é totalmente diferente do gaúcho que vem do interior do estado.
A porto-alegrense fala arrastado, usa muito o “tri”, “bah”, “capaz”, entre outros. Esse modo tem suas vantagens, pois é um sotaque – quando falado com calma – harmônico e agradável. A forma com o “r” é dito pelo porto-alegrense soa bem diferente do “r” do caipira, motivo de eterna piada.
Já o gauchão véio do interior, bah, esse não se vai com estas frescuras. É cheio de trejeitos, vocabulário pessoalíssimo e não visa a adequar-se ao português culto. Dependendo da cidade, carrega o “r” caipires e acha o “tri” coisa de porto-alegrense fresco.
Uma peça publicitária que exemplifica, além do bairrismo óbvio, a paixão do gaúcho pelo seu jeito pitoresco de falar é essa criada pela Almap e produzida pela Zeppelin para a cerveja Polar.
Mazáh!
Pois o gaúcho faz questão de dizer que é gaúcho. Certo que sim.
Dentro do tradicionalismo cultivado no Brasil, talvez a música gaúcha seja a mais referenciada. É um estilo que saiu do Rio Grande do Sul para confundir-se com a cultura popular do interior do Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
As letras são recheadas de história nativistas e com a indispensável presença da figura mística do gaúcho. A realidade social é vista como uma construção imaginária, voltando sempre para os tempos do império e da revolução. A culinária e o clima do Rio Grande do Sul são outros temas invariavelmente citados nas letras.
A música gaúcha, a verdadeira música gaúcha, não é algo exatamente alegre. As canções são voltadas somente ao teu povo, relembrando detalhes da infância do gaúcho do pampa, a vida dura do campo, os percalços do crescimento, a paixão pela família e , principalmente, a tradicional raça e amor pela terra.
O próprio hino do Rio Grande do Sul (no meu tempo de colégio, éramos obrigados a cantá-lo toda terça-feira) já carrega em sua composição algo influenciado pelo tradicionalismo do Estado. O autor da letra é Francisco da Fontoura e a harmonização de Antônio Corte Real.
O refrão é absurdamente denso e forte. A frase “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra” é até hoje lembrado em camisetas, adesivos e faixas nos estádios Olímpico e Beira Rio.
Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o vinte de setembro
O precursor da liberdade
Mostremos valor constância
Nesta ímpia injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo
Antes das ridículas bandas comerciais (Tradição, Tchê Garotos, etc…) que surgiram no Rio Grande do Sul e nos estados citados acima, existiram Cesar Passarinho, Leonardo, Dante Ramon Ledesma, Gildo de Freitas, Leopoldo Rassier, entre outros. Gaúchos legítimos, descendentes de índio, bugre velho e sem frescuras.
Homens que cantavam o sofrimento. O orgulho de ter nascido na querência amada e por ser o primeiro a ter lutador para ser brasileiro. Sonidos que representavam a vida e o cotidiano de um povo acostumado a viver no frio e lutar pela liberdade. Cantavam para estado que se criou na guerra e cresceu na adversidade.
Além disso, a música gaúcha faz questão de carregar as raízes da família. Uma das mais belas músicas já feitas no sul do Brasil é Guri, do Cesar Passarinho. Observe como a letra, apesar de singela, é emotiva e adequada. A interpretação de Cesar Passarinho é um show a parte.
Na gaita (sim, esse instrumento no Rio Grande do Sul se chama gaita), Renato Borghetti. Neto Fagundes no violão.
Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 23 anos e um poço de sinceridade.