Crianças, eu li. E confesso que não foi simples. Imagine. Eu cresci lendo gibis da Turma da Mônica, eram pilhas e pilhas de exemplares numa caixa no canto do quarto. Desde “Almanacões”, passando por edições especiais sobre Lost, Jurassic Park e Quake até uma limitada patrocinada pela Coca-Cola. Hoje, eu li. Está bem aqui na minha frente: Turma da Mônica Jovem.
Esqueça a antiga turma. Os vestidinhos coloridos, as bolas de gude, o campinho do bairro do limoeiro, os passeios no parque, os muros pichados e carrinhos de rolimã. Agora a Mônica tem um blog, o Cebolinha tem um site chamado cebola.com.br, a Magali come menos e o Cascão, pasmén, toma banho.
Novos tempos.

Essa é a capa da edição especial lançada ainda antes da revista nº1. Ela conta com detalhes essa nova vida da turma e as desconhecidas características de cada personagem. Como diz na capa, a Turma da Mônica Jovem é feita no estilo mangá - forma como os japoneses chamam as estórias em quadrinhos. Ou seja, daqui para frente se acostume com exemplares em preto e branco.
Ao contrário do formato original de mangá, a criação de Maurício de Souza é lida no sentido ocidental: da esquerda para a direita. As diferenças param por aí. Os traços desse novo gibi lembram muito os quadrinhos japoneses. Além disso, o tom ironico e sexual de algumas piadas aparecem durante boa parte da publicação.
Detalhes esses observados já no primeiro roteiro dessa nova fase. O exemplar nº1 é, como não podia ser diferente, uma introdução ao “mundo mangá” vivido agora pela turma. A estréia é também um tapa na cara do leitor. Ela joga na mesa: as coisas mudaram. E muito. Sem piedade, o enredo te leva a acreditar que os anos passaram e a Mônica não é mais uma menininha.
E consegue.

Maurício de Souza fez o favor de deixar bastante claro que Mônica é uma típica adolescente. Reclama do pai super protetor, de quem entra no quarto sem bater na porta e do assédio dos meninos. Uma coisa que não mudou foi a presença central e liderança da dentuça. Graças ao livro descoberto por Mônica a turma é salva e descobre as quatro dimensões mágicas.
Mas, antes disso, preciso mostrar dois momentos curiosíssimos. O primeiro ocorre justamente na estréia do Cascão no mangá. O pai do fedorento reclama da demora do garoto no banheiro. Cascão sai e toca a mão do velho, que, assustado, repara ter ficado com uma gosma (!) que estava nos dedos do filho. Felizmente, Cascão diz que é apenas gel para cabelos.

A outra passagem é uma nova amostra do apelo sexual que a Turma da Mônica Jovem deve ter. Após perder o equilíbrio, Cebolinha (que agora quer ser chamado apenas de Cebola) cai sobre Mônica. Mais do que isso, ele cai com as mão nas coxas da garota. Mais ainda do que isso, ele seca os peitos da dona do Sansão na cara dura.
Questionado sobre tal atitude, Cebola comenta que estava olhando os “dentes”. E que eles cresceram.
Ahan.

Alguns bons personagens de apoio surgem logo nessa primeira edição. É o caso do Franjinha. O pequeno gênio trabalho num museu e também teve seu apelido alterado para algo mais maneiro: Fran.
Já a desenhista Marina, paixão de Franjinha quando eles eram crianças, aparece em somente dois quadrinhos. O suficiente para a felicidade dos embasbacados Cebolinha e Cascão.
Lembra do Louco? Foi-se a teoria de que ele era um amigo imaginário do Cebolinha. O Louco agora é chamado de Professor Louco. Ele dá aulas para a turma na Escola do Limoeiro. E continua doidinho.
Maria - irmã do Cebolinha - e o Mingau - gato da Magali - também aparecem na história, mas sem destaque. O que maior importância tem nessa primeira edição é um antigo vilão: o Capitão Feio. Ele é o responsável pela libertação da Rainha Yuka, a maligna que vai dominar o mundo caso a turma não retorne com os quatro objetos místicos escondidos num perigoso reino.

É aboslutamente clara a preocupação de Maurício de Souza em criar uma lingüagem jovem para a turma. Palavras abreviadas, termos da moda e símbolos pop pipocam nessa edição nº1. Não creio que estamos diante de um fenômenos editorial. Mas arrisco dizer que A Turma da Mônica Jovem já entra para a história pela sua ousadia.
O curioso é que a turma da Mônica já foi grande. Esta estória foi destaque num gibi da Magali de 2007.

Pois é. Nossas crianças cresceram. Paciência. ![]()
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¹ Recebi uma simpática citação no Papo de Bar. Valeu, bizonhento.
Fred Fagundes





















