Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008.

Todo mundo tem o seu filme “ruim” preferido. E quando eu classifico o filme de ruim entre aspas quero dizer que ele é “bom”. Ou seja, o bom entre aspas quer dizer que ele só é bom pra você e meia dúzia de malucos. Pegou?

Esses filmes são, na sua maioria, estilo Sessão da Tarde e Cinema e Casa. Uma seleção que cresce a cada ano. Afinal, atire a primeira pedra quem não gosta de pelo menos um filme cheio de clichês, atores canastrões e massacrado pelo editorias de cinema. É um mercado crítico underground assaz interessante.

E, nessa linha, acredito que ninguém supera Stallone Cobra (1986). Baseado no livro de Paula Gosling e escrito pelo próprio Sylvester Stallone, Cobra é um clássico do formato deixe-seu-cérebro-lá-fora-e-divirta-se.

Stallone é Marion Cobra, um policial durão e sem papas na língua. Especializado em missões impossíveis para pessoas comuns, Cobra é escalado para proteger a testemunha-chave de um processo.  Lembrando que ele contém a incrível habilidade de matar 20 bandidos, explodir cinco carros e destruir dois prédios sem perder o palito de dentes.

Repito: precisamos de policiais como Marion Cobretti: “Você é a doença, eu sou a cura”.

Invasion USA (1984). No clássico marcado por uma forte dose de pessimismo e violência, o eterno vilão Richard Lynch é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. O problema é que nesse país mora nada menos que Chuck Norris.

Chuck é visivelmente frio e sádico, que não hesita a enfiar uma faca na mão de um vilão durante um
“interrogatório” e prefere explodir os inimigos em pedacinhos ao invés de levá-los à Justiça. E assim ele faz com uma quadrilha de mercenários.

O cartaz do filme é um show à parte. Acima da foto de Chuck, algo como:

“Os Estados Unidos não estavam preparados para uma guerra. Mas ele estava”.

Eis um filme que faz tempo que não curto uma reprise. Woody Harrelson e Wesley Snipes fizeram a primeira parceria no famigerado White Men Can’t Jump (1992). Odiado pela crítica, Homens Brancos Não Sabem Enterrar virou alguma coisa próxima do cult para o público de vinte e pouco anos. E não é por menos. O filme é horrível e legal ao mesmo tempo.

A dupla se une para dar golpes nas quadras de Los Angeles. É mais ou menos assim: Snipes aposta dinheiro numa partida de basquete com outra dupla e diz que eles podem escolher o seu parceiro. No cantinho da quadra, fingindo estar perdido, está Harrelson. Sem pensar duas vezes, os desafiados escolhem aquele bobalhão. Assim, ficam sabendo da pior maneira que aquele branquelo joga muito.

Não é o filme que vai mudar sua vida, mas garante boas risadas.

Filme do Stallone nunca é demais. Dessa vez ele apareceu como um solitário caminhoneiro em busca da guarda do filho. Para isso, ele deve superar o rancor do garoto e o poder do ex-sogro interpretado por Robert Loggia. Como fazer isso? Vencendo o campeonato mundial de queda de braço, oras! Tem maneira mais simples?

Over The Top (1987) traz o velho modo Stallone de fazer cinema. Lincoln Hawk se dá mal o filme inteiro. Mas, no final, quando vira seu boné, vence e ganha, além de um filho, um caminhão Volvo novinho.

Falcão - O Campeão dos Campeões tem cara de Temperatura Máxima. É o tipo de filme que fica muito estranho caso assistido legendado.

Falem o que quiser, mas David Cronenberg é gênio. São poucos os diretores que criam histórias que, de tão bizarras, se tornam atraentes. E Scanners - Sua Mente Pode Destruir (1981) foi a obra que elevou o status de Cronenberg para diretor cult.

O filme é bem violento: muitas cabeças explodindo, feridas pustulentas saltando, corpos em combustão e muitos tiros. Quase tudo on-screen. Ou seja, hoje esses efeitos estão datados e podem não impressionar tanto. É recomendado para três tipos de pessoas: aqueles que gostam de bons filmes de terror, aqueles que gostam de bons filmes de ficção científica e aqueles que gostam dos dois. [+]

Saca essa sinopse:

“Danny Madigan (Austin O’Brien) é um garoto que é fã incondicional do personagem Jack Slater (Arnold Schwarzenegger). Ele ganha um ingresso de cinema mágico, que faz com que Danny entre no novo filme de Slater e passe por aventuras num mundo maluco, com desenhos animados, violência e até mesmo Catherine Tramell (personagem de Sharon Stone em “Instinto selvagem”). Porém, há um problema: o mesmo ingresso faz com que os vilões do filme saiam para o mundo real. Slater vem atrás deles, passa por vários apuros e acaba encontrando o ator que o interpreta, Arnold Schwarzenegger.”

Eu sai do cinema com a certeza que esse filme seria considerado o melhor do ano. Pobre mente inocente. Last Action Hero (1993) é considerado um dos piores filmes de Arnold Schwarzenegger. Foi execrado, sacaneado e humilhado. Resultou num grande fracasso de bilheteria.

É uma excelente sátira dos filmes de ação. Destaque para o trecho na locadora, onde aparece o Stallone na capa do Exterminador do Futuro.

Chupa, Rubens Ewald Filho.

¹ Oportunismo pouco é bobagem: Bronze Brasil 2008.

² Manifesto sobre os blogs de humor.

³ Conheça o BroguiBlogs. A melhor ferramenta para quem sempre quis ter um blog. :)

Fred Fagundes

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008.

Que o Brasil é o país com o maior número de técnicos de futebol (180 milhões, de acordo com os últimos dados do IBGE) todo mundo sabe. E se tem uma profissão que nunca terá unanimidade em suas decisões é a de técnico da seleção. Retranqueiro, irresponsável, teimoso, medroso, fraco, burro… São alguns dos mais carinhosos adjetivos que um treinador em má fase costuma receber.

O nosso Dunga, por exemplo. Ah, Dunga. O Brasil dá, mais uma vez, o adeus ao sonho do ouro olímpico. E tudo indica que o capitão do tetra vai dançar tal como Vanderlei Luxemburgo em Sidney 2000. Beijing Beijing, xau xau.

Mas qual foi o problema? Dessa vez, talvez só dessa vez, o torcedor não pode reclamar dos jogadores selecionados. Um ou dois ficaram fora da lista, mas o Brasil está na China com o que, teoricamente, tem de melhor. Dunga relativamente convocou bem. E olha que isso não costuma acontecer muito.

Teve cada coisinha que já vestiu a camisa da seleção…

Em 2001 Emerson Leão apostou numa seleção caseira e convocou vários jogadores que atuavam no Brasil. Resultado: apanhou de França, Austrália e perdeu o emprego. O meio de campo daquele time era precioso: Rochembach, a eterna promessa do Internacional; Carlos Miguel, um ex-jogador do Grêmio e de futebol; Ramon, bom meio de campo do Vasco, mas um atleta de clube e Leomar. Sim, o Leomar.

O Leomar fazia uma temporada muito boa pelo Sport e tinha moral com Leão, ex-treinador do Leão. Chegou e recebeu a braçadeira de dono do time. Sabe quanto jogadores ganharam o posto de capitão logo na estréia? Nem eu. Mas foram pouquíssimos.

Além do nobre Leomar, que nunca teve outra chance com a camisa da seleção, tínhamos no grupo: Irênio (Portuguesa), Robert (Santos) e Magno Alves (Fluminense). Brabo.

Sabe qual era a o ataque do primeiro jogo do Brasil válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002? Jardel e Élber. Dois centroavantes de ofício plantados na área enquanto um incansável Rivaldo corria para um lado e para o outro. E, até a Copa de 2002, depender somente do Rivaldo não era uma boa estratégia.

Não que Jardel e Élber sejam jogadores ruins. Mas essa dupla ofensiva não podia dar certo. E nem deu. No banco dois atacantes de velocidade esquentavam o banco: Edilson e Ronaldinho Gaúcho.

Final de jogo: Colômbia 0 x 0 Brasil. E Élber e Jardel nunca mais jogaram juntos.

Responda rápido e sem pesquisar no Google: quem era o lateral direito reserva na Copa do Mundo de 1998? Difícil, né? Pois foi o Zé Carlos. Ex-jogador de São Paulo, Grêmio e Ponte Preta, Zé jogou aquela partida histórica contra a Holanda. Aliás, “jogou” é bondade.

A atuação de Zé Carlos foi pitoresca. Ele não atacou, não defendeu, não armou e não mostrou motivos para estar naquele grupo de 23 jogadores. Foi escalado contra a Holanda devido uma suspensão do títular Cafu. Passou boa parte do jogo correndo sem sair do lugar e saber que fazer com a bola. Fez o brasileiro sentir saudades do Cafu. Isso resume tudo.

Hoje Zé Carlos ganha a vida como um feliz e bem sucedido empresário de jogadores.

Quem diria, até o glorioso Luis Felipe Scolari já teve seus dias ruins. E vários. Enquanto a nação suplicava a convocação de Romário, Felipão preferiu Esquerdinha, ex-jogador do São Caetano. Além disso, chamou em 2002 uma dupla absolutamete bizarra: Edilson e Vampeta.

Qual era a função de Edilson e Vampeta naquela Copa do Mundo? Contar piadas na concentração, só se for. Por mais teimoso que Felipão seja, não havia lugar para eles no time. Reza a lenda que eles estavam na Ásia somente para descontrair o grupo mesmo. Bom, como deu certo, ponto para a comissão técnica.

E eu só lembrei que o Vampeta havia sido convocado devido as cambalhotas na rampa do planalto.

Abel Braga e Zé Sergi em 1878, Valdir Peres em 1982, Josimar e Elzo em 1986, Paulo Sérgio e Ronaldão em 1994… Isso para ficarmos só com os que foram à Copas.

Mais alguém? Me ajude nos comentários. E comece a apostar em quem será o novo técnico da seleção.

¹ Em breve teremos blogueiro novo na praça.

² Alguém já iniciou a campanha “Fica Dunga”? Pois fica na China!

³ Peço desculpas pela demora na atualização do QMaT. Enfim, as coisas voltaram ao normal. :)

Fred Fagundes

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008.

Ando sem tempo até para ver os jogos do Grêmio. Para evitar ameaças de morte e comentários do tipo “atualiza a porra desse blog”, vou repetir a fórmula do post anterior.

O ano: 1987. James Brown chama Michael Jackson, no auge de sua forma, para dar uma palhinha no palco. Espetáculo. Logo depois surge, nas costas de um segurança, o talentoso Prince. Completamente chapado, ele dá uma enganada com a guitarra e destrói o cenário.

História pura.

Merece um post maior? Merece. Mas é o que temos para o momento.

Amanhã tudo se ajeita. Espero eu.

¹ Dica psicografada do Mexas.

² A torcida gremista aclama: “Me Perdoa, Celso Roth!”

³ Ainda não acabaram os Jogos Olímpicos e Michael Phelps já tem uma Serra Pelada no pescoço.

Fred Fagundes

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008.

Há músicas. E há Isn’t It A Pity.

Todo homem precisa ouvir algo do George Harrison pelo menos uma vez por semana.

Duas, duas vezes.

Fred Fagundes

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008.

O ator Jackie Chan disse: “a primeira vez que vi Rocky foi no cinema. Ao final do filme, voltei correndo para casa disposto a treinar até ser o melhor. Devo muito da minha carreira para aquela história de vida e perseverança”.

Perseverança, esse é o grande apelo do filme Rocky - Um Lutador (1976). Ao contrário do que muita gente pensa, Sylvester Stallone não escreveu o roteiro baseado na vida do pugilista Rocky Marciano, mas sim após ver a fatídica luta entre Chuck Wepner e Muhammad Ali em 1975, quando Wepner resistiu aos golpes de Ali até o último assalto.

O filme foi aclamado pela crítica da época. Até hoje, ao lado de Touro Indomável (1980), é considerado o melhor roteiro sobre boxe já escrito. Na sequencia vieram outros quatro sucessos comerciais, mas nenhum tão marcante quanto o primeiro.

Já em 2006, mais de 15 anos após o pior filme da série, Stallone decidiu tirar o moletom cinza do armário e voltar aos ringues. Rocky Balboa (2006) foi uma digna e memorável conclusão para uma inesquecível história. Além disso, o filme é repleto de homenagens e mensagem de motivação e otimismo. Vamos aos fatos.

Em Rocky Balboa, após trecho de uma luta de Mason Dixon,  são exibidas imagens da cidade Filadélfia. A música que toca ao fundo é a mesma cantada por um grupo de moradores de rua em Rocky - Um Lutador.

As cenas de Rocky na feira é externa. Elas foram gravadas na rua, com trabalhadores comuns. Em alguns momentos é possível ver o espanto de alguns clientes com a visita inesperada.

Um homem é visto lendo a Bíblia na primeira passagem dentro do restaurante do Rocky. Trata-se de Spider Rico, personagem do ator Pedro Lovell que participa também do filme de 1976. É ele que luta com Rocky logo na primeira cena daquele filme.

O roteiro que Rocky e Paulie fazem no aniversário da morte de Adrian é o seguinte: J&M Tropical Fish, pet shop onde Rocky ia somente para ver aquela que seria sua futura esposa; a casa número 1818, onde Rocky morava; terreno onde havia uma pista de gelo, local do primeiro encontro do casal.

Nem todo mundo reparou, mas o ator que interpreta o filho de Rocky, Robert Balboa Jr. (Milo Ventimigla), e Stallone possuem um problema físico em comum: a boca torta.

O Lucky Seven Tavern, onde Rocky encontra Marie, fica exatamente no lugar da antiga academia que Mickey (Burgess Meredith) trabalhava.

“Só porque tiraram sua estátua?”, é pergunta de Paulie quando fica sabendo que Rocky deseja voltar a lutar. A tal estátua foi doada por Stallone em 1982 como um agradecimento à cidade da Filadélfia. Alguns curadores não consideravam a estátua a altura do acervo do Museu de Arte da Filadélfia, então mandaram retirar a obra. Logo após a estréia do sexto filme, em 2006, ela voltou ao seu lugar.

O quadro que está na parede do restaurante é a cena final de Rocky 3 - O Desafio Supremo (1983). A tela reproduz os socos de Rocky e Apollo Creed.

As capas de revistas como Newsweek, Life, Sports Today e Sports Illustrated observadas por Steps (James Francis) exibem, na maioria, partes do terceiro filme.

Acho primorosa a cena do diálogo entre Rocky e seu filho após o anúncio da luta. Rocky Jr. diz para o pai que ele não precisa lutar. Assim, ouve uma lição que vale para muitos:

“Você cresceu maravilhoso. Eu dizia para sua mãe que você seria a melhor pessoa do mundo. Quando chegou a hora de virar homem e ganhar o mundo, você foi. Mas em algum lugar, você mudou. Deixou de ser você. Você deixou se convecer que não é bom.

E quando a coisa apertou, começou a procurar algo para culpar. Como uma grande sombra. Vou dizer algo que você já sabe: o mundo não é feito de arco-íris. É um lugar ruim e duro. E não importa o quão forte seja, vai colocá-lo de joelhos e vai deixá-lo lá. Ninguém vai bater mais forte que a vida.

Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.

Se tem valor, busque o que é digno de você. Tem que estar disposto a apanhar, não levar dedo na cara, dizendo que não é o que deseja por causa de ninguém. Covardes fazem isso, você não é assim, é melhor que isso.

Sempre vou amar você, não importa o que acontecer. É meu filho e é meu sangue. É a melhor coisa da minha vida. Mas se não acreditar em si mesmo, não terá uma vida.

Segundo o túmulo presente em Rocky Balboa, a morte da personagem Adrian ocorreu em 11 de janeiro de 2002. A causa foi câncer.

A sempre empolgante cena do treino nos leva mais uma vez ao filme de 1975: copo com três ovos crus e socos no frigorífico.

Aliás, ainda no treino, não podia faltar a antológica trilha Gonna Fly Now, de Bill Conti. Além dessa, outra música ficou muito famosa: Eye of the Tiger, do Survivor. Em 1983, The Temptations gravou sua hilária versão coreografada.

A música que Rocky entra no ginásio é High Hopes de Frank Sinatra. Canção essa muito cantada pelo Rat Pack durante a candidatura de John F. Kennedy.

A cena final é curiosa. Os cortes e a fotografia fogem do padrão do filme, dando a sensação ao espectador de ser uma luta de verdade. As cenas foram registradas antes da luta entre Bernard Hopkins e Jermaine Taylor, em 3 de dezembro de 2005.

Conheça também os dossiês De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

¹ Dica: Desaforo.

² Tá no ar! O Judão nas Olimpíadas surge com só o que realmente interessa sobre os jogos.

³ Cast Zone. Tema: “Os grandes shows de nossas vidas. Ou não”. E com participação deste blogueiro :)

Fred Fagundes

  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 23 anos e um poço de sinceridade.