Eu não gosto de musical. Mas gosto de música boa. Relembro Tommy, a ópera rock do The Who de 1975. O filme, com roteiro e direção de Ken Russel, é uma das mais polêmicas obras da história do cinema. E um dos poucos musicais que eu tive saco para ver inteiro.
O enredo trata da história de Tommy Walker, que, quando criança, presencia o assassinato de seu pai. O crime é planejado pela mãe de Tommy, papel da estonteante Ann Margaret. O trauma deixa o garoto cego, surdo e mudo. Nascia ali o futuro Messias campeão mundial de pinball.
O elenco de Tommy é impressionante. Nomes como Oliver Reed, Jack Nicholson, Tina Turner, Eric Clapton e Elton John fazem parte da produção. Além, é claro, dos quatro integrantes do The Who.
Tommy não é um filme para principiantes. Russel carrega uma forte influência do surrealismo. Logo, é necessário conhecer e gostar do gênero. Se não, Tommy torna-se rapidamente algo chato e incompreensível.
Tommy nasce um dia após o fim da segunda guerra. Seu pai, piloto, morreu em combate. Após toda a cerimônia de homenagem póstuma, Tommy e sua mãe vão até a Colônia do Bernie, onde o futuro tomaria outros rumos.
A personagem de Ann Margaret passa uma noite com Bernie. Eles vão morar juntos. Logo na primeira noite, o pai de Tommy reaparece, pegando todos de surpresa. Bernie mata o militar na frente de Tommy, traumatizando o garoto.
Aos berros, Ann e Bernie cantam “você não viu nada, não ouviu nada, não vai falar nada”.
A seqüência do filme mostra uma passagem muito interessante. Tommy e família estão num parque de diversões. O jovem tem várias alucinações que ligam o pinball com metralhadoras, uma tão perspicaz quanto curiosa analogia.
A deficiência de Tommy é discriminada por todos. Até que, num certo Natal, ele é extremamente humilhado e julgado por família e amigos. De presente, o garoto ganha um presépio. O mesmo é destruído pelo jovem. Após isso, há uma passagem de tempo e Tommy começa a ser interpretado por Roger Daltrey.
Logo na primeira aparição, Roger está numa igreja que segue Marilyn Monroe. Nessa igreja, a música é tocada pelos outros três integrantes do The Who. E sabe quem é o padre que reza a missa?
Nada menos que Eric Clapton.
Nessa igreja a hóstia são pílulas e a água benta é uísque. Mais precisamente, Johnny Walker. A cada dose, uma promessa de cura aos cegos, surdos e paralíticos.
Após Clapton, surge Tina Turner no papel de Cigana, a Rainha do Ácido. Ela é uma prostituta contratada por Bernie. Não para transar com Tommy, mas para drogá-lo. Tommy tem várias alucinações. E, depois disso, é mais uma vez humilhado pelos familiares.
Essa sucessão de traumas faz Tommy enxergar o mundo. Por meio de um espelho redondo, o protagonista enxerga seu corpo em movimento. Ele começa a seguir-se e chega num ferro velho, onde tem o primeiro contato com uma máquina de pinball.
Tommy é encontrado pela polícia e vira uma estrela. Ganha seguidores. Vira campeão mundial de pinball ao som de Elton John. A rainha do rock canta a fantástica música “Pinball Wizard” sob um alucinado Tommy batendo recordes no game.
O caricato Jack Nicholson aparece após uma hora de filme. Ele interpreta um médico que tenta desvendar o milagre que faz com que Tommy, mesmo cego, jogue tão bem pinball.
Após um acidente em casa, quando quebrou um vidro espelhado e caiu na piscina, Tommy volta a enxergar. Ele, que já era um jovem rico, idolatrado e famoso, agora podia enxergar, falar e ouvir. Tommy tinha o poder de conquistar a alma das pessoas. E, assim, foi tratado como o Messias, uma nova esperança.
Tommy aparece evitando brigas, salvado pessoas e criando uma grande “Colônia de Férias”. Centenas de milhares de pessoas vão ao seu encontro, todas procurando uma salvação. Acontece que Tommy não faz milagres. E o povo se revolta com a comercialização da igreja. Manifestantes matam a família dele e fazem algo ainda pior com o jovem: o esquecem.
Na música “We’re not gonna take it” há o arremate do filme e explicita uma visão conservadora quanto a questão das drogas, nesta música se diz: “Ei você se embebedando, eu saquei a sua/ Ei você fumando a mãe natureza, isso não presta/ Ei você aí Mr. Normal, não tente ganhar minha confiança”.
Neste trecho fica claro a posição conservadora e condenatória passada pelo filme sobre drogas. E a última frase da música também crítica o messianismo com a frase: “Vocês não vão me seguir de nenhuma dessas formas, embora vocês achem que devam”.
Clássico. Um tipo de história que não aprendemos na escola.
Ou seja, relevante.
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¹ Ann-Margret foi premiada com um Globo de Ouro por sua atuação e indicada ao Oscar de Melhor Atriz.
² Ajudou: Universidade Federal de Santa Catarina.
³ Conheça também os dossiês De Volta Para o Futuro, Forrest Gump e Rocky Balboa.
Fred Fagundes











Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008. às 11:25 pm
Esse filme/disco é realmente espetacular!
Músicas como Pinball Wizard com Elton John realmente são marcantes, não vejo a hora do The Who se juntar novamente e voltar para a estrada!
O rock está resurgindo, vemos isso a cada dia, só faltam eles!
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 6:00 am
nao sei pq… todo mundo erra o site da UFSC…. eh ufsc.br e não ufscar…
beijoo
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 9:59 am
EXCELENTE FILME, WHO EXCELENTE BANDA, E O CASTING É MAGNÍFICO!
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 10:39 am
Ainda não vi o filme, o lance de ser uma “opera-rock” me causa arrepios.
Mas sem dúvida, Pinball Wizards é uma música especial.
Abraços,
Gabriel Lucas
http://factoide.wordpress.com.br
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 1:20 pm
doido :/
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 2:19 pm
ainda não assisti esse. mas não deve ser mais psicotrópico que The Wall(apesar de que parece que são coisas bem diferentes…enfim, não sei).
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 2:44 pm
poxa, vi esse filme sem saber o que era. só agora descobri o nome… aqui por acaso… e me! eu delirei junto com o filme! e pensei q só eu tivesse visto o filme… auishauihsuiahsuiahs
mas é bom, muito bom!
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 4:40 pm
Filme extraordinário. Só não é meu musical predileto porque eu adoro “The Wall”.
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008. às 4:42 pm
É um musical extraordinário. Só não é meu predileto porque eu adoro “The Wall”
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008. às 12:06 pm
Filme fantástico.Mas quando passou no cinema a cena com o pregador Clapton foi cortada.
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008. às 3:32 pm
Muito louco esse filme. Sensacional mesmo!
Um tio meu da época do rock in rio que me emprestou!
Mesmo não sendo muito conhecedor do The Who gostei muito do filme!