Fui um grande fã de boxe. Minha experiência mais próxima com o esporte foi em 2002, quando ainda cursava o segundo grau. Ganhei uma aula grátis e fui todo pimpão para a acadêmia. Depois de um aquecimento intenso, o professor mandou eu subir no ringue. Tomei um soco no queixo, cai e fui embora. Hoje ando armado.

Enfim, essa breve história para lembrar de um personagem marcante da minha infância. Mike Tyson. Eu só comecei a gostar de boxe quando vi o Mike Tyson lutar pela primeira vez. E acredito que com muitos foi assim. Lembro-me como se fosse há 22 anos. Tyson massacrou Trevor Berbick e conquistou o título mundial de pesos pesados da WBC. Com 20 anos, foi o mais jovem pugilista a alcançar esse feito.

Era bacana ver o Tyson lutando. Ele conquistou um público novo para o esporte e o status de um dos maiores pugilistas da história. Não tinha pra ninguém. Nem mesmo para os anunciantes, que viam os milionários investimentos em publicidade acabarem com 40 segundos de luta. Tyson não ia ao ringue para dar espetáculo, mas sim para fazer seu trabalho e voltar para casa o mais rápido possível.

Tyson destruia. Era o cara.

Com todo respeito aos seus admiradores, nunca curti basquete. É um dos poucos esportes que não acompanho com entusiasmo. Sei lá, acho cansativo, arrastado, talvez pelas inúmeras paralisações. Até a NBA perdeu a graça pra mim. Principalmente após a aposentadoria de Michael “Air” Jordan. Pois, quer entretenimento de qualidade e lances absurdamente genias no esporte? Vá até o Youtube e busque por Jordan. É bizarro.

Jordan foi uma combinação singular de graça, velocidade, raça, força, talento artístico, habilidade e um forte desejo de competição. O homem simplesmente redefiniu o conceito de superstar no esporte. Hepta hexa campeão da NBA com o Chicago Bulls, Jordan teve uma assustadora média de 30,1 pontos em quinze temporadas. Se um dia eu vi um jogo de basquete até o final, ele estava em quadra.

Jordan, esse era o cara. E ainda controlava a gravidade e andava no ar. Sério.

Você ainda acorda domingo de manhã para assistir Fórmula 1? O problema é seu. Isso só valia a pena quando sabiamos quem realmente mandava nessa modalidade do automobilismo: Ayrton Senna. A bandeirinha brasileira na linha de chegada, o Tema da Vitória, até o Galvão Bueno se esguelando Ayrton, Ayrton, Ayyyyyyyyyyrton Senna do Brasil!!! fazia valer a pena ter queimado o último dia do final de semana levantando cedo.

Além de talento, Senna tinha carisma. Somente após sua morte, em 1994, descobriu-se que ele havia doado 50 milhões de dólares para as crianças carentes, fato que ele manteve em segredo durante a vida. Já o Instituto Ayrton Senna investiu cerca de 80 milhões de dólares nos últimos anos em programas sociais e em parcerias com escolas, governos, ONGs e setores privados.

Era uma verdadeira rotina começar o domingo com uma vitória do Senna. E ainda tinha um episódio do Macgyver depois do GP na Globo. É, ao lado do rei Pelé, o maior esportista brasileiro da história.

O Senna, não o Macgyver. Que também era o cara.

Três ícones do esporte no final dos anos 80/início dos anos 90. Três gênios. Três que você falava com toda a certeza do mundo: “esse é o cara no esporte dele”.

Agora, eu pergunto: quem é o cara do boxe? Eu não faço a mínima idéia qual lutador detém o cinturão dos pesos pesados. Quem é o cara do basquete? Kevin Garnett? Steve Nash? LeBron James? Kobe Bryant? Falam tantos nomes, nenhum me chama a atenção. Cade o Dream Team? Perdeu pra Argentina esses tempos. E o cara da Fórmula 1? Alonso sumiu, Hamilton faz cada barbeiragem e o Massa ainda tem muito pneu pra gastar.

Eu tinha Tyson, Jordan e Senna como heróis da vida real. Tinham arqui-inimigos. Batalhas históricas e heróicas. Todo jovem precisa de um ídolo para se espelhar, ter como referência e inspiração. Mas eles sumiram. O esporte perdeu sua aura.

Ou, sei lá. Talvez eu não tenha mais os olhos mágicos de criança.

¹ Post dedicado do Mexas, o melhor blog do mundo.

² A equipe IsFree trabalha arduamente no novo site. A previsão é que até o dia 2 de julho os fãs de séries tenham de volta o mais popular portal do gênero no Brasil.

³ Dica: estréia amanhã (27/06) o nova longa da Disney/Pixar: Wall.E. Feche esse blog e vá assistir um filme.

Fred Fagundes

31 Comentários para “Procura-se o cara”

  1. Comentário de: Highlander

    Concordo que basquete é um pouco chato de assistir mesmo. A não ser que você esteja torcendo (de verdade) pra alguma equipe.

    NBA, só voltei a ver este ano, porque finalmente o Celtics estavam disputando o título. Comecei a acompanhar na época que o Bird estava se aposentando, e não peguei a Era de ouro (uma delas) do time.

    Agora, vale lembrar também do nosso grande Oscar. Esse valia a pena acompanhar os jogos. Raça, acho que ele deixava o Jordan pra trás.

  2. Comentário de: Daniel Cajal

    Poisé, o pior de tudo e ver a decadência dos “super-heróis” da nossa faixa etária, Mike Tyson faz turismo presidial, Michael Jackson é uma coisa, literalmente. Eu tenho Michael Jackson no meu Ipod e curto pracaralho! mas não tem como olhar pra ele hoje e dizer que ele fez tudo o que fez no passado.
    Tem um videozinho muito legal que ilustra o que eu estou falando:
    http://www.youtube.com/watch?v=kLrWgVPeCzI

  3. Comentário de: Thiago

    Estamos carentes de ídolo né cara…

    Eu acordava domingo de manhã pra ver o Senna.. gostava do Tyson mas nunca fui muito fã de boxe.. curtia o Popó..

    Curtia o Jordan mas nunca acompanhei..

    Meus ídolos estão no futebol, no meu SPFC. E só.. mas até isso tá ruim, pq os jogadores vão e vem e nem tem tempo para se tornarem ídolos.

    Há alguns anos tinha o Guga. batalhas históricas e arqui-inimigos.. foi um herói. um herói NATO!

  4. Comentário de: vinícius

    Pois é. Até o Guga aposento, André Agassi também. No futebol, o Ronaldinho Gaúcho, sério candidato a herói… sumiu. O outro Ronaldo ta famoso pelas bolas erradas, por estar uma e por outras 6 que é melhor não comentar. Afinal, se ele gosta, o problema é dele, por mim poderiam ser até 12 bolas, ele tem dinheiro pra bancar mesmo, o problema é que isso hoje nele chama mais atenção que o futebol(vixi, comentei). O máximo que temos de herói hoje é um técnico de vôlei. A que ponto chegamos…

  5. Comentário de: vinícius

    ps. Me concentrei nos brasileiros porque heróis mundiais chega a ser piada.

  6. Comentário de: Thomas

    realmente este terxto é muito bom… não só esse, todos textos são bons… ou seja, você é o cara no que faz… hehehehe

  7. Comentário de: victor

    Olá Fred!
    Está tendo uma promoção no TudoJunto que vai dar ao ganhador, um incrivel almanaque dos anos 90. Como sei que você curte esse tipo de coisa nostálgica, resolvi dar uma passada e pedir se há possibilidade de você fazer uma pequena divulgação do concurso, e claro, aguardo a sua participação, pois histórias, ao que me parece, é o que você mais tem para contar.
    Abraços e sucesso!

  8. Comentário de: Dorly Neto

    Tá falando mal da minha infância é? xD

    Mas eu prefiro mesmo é essa época dos anos 80/90, sou um velho de 17 anos de idade :D
    Falou!

  9. Comentário de: Paulo Torres

    Depois que passei a assistir esportes que são praticados por mulheres de minissaia, minha vida mudou. Duas palavras: Ana Ivanovic. E é uma pena que hóquei sobre grama feminino não seja transmitido no Brasil - procure por Ellen Hoog (da seleção holandesa de hoquei) no google. Como dizem por aí, esporte é saúde!

  10. Comentário de: Gracielle Galvão

    Não tenho nem o que falar, todo mundo aí pra cima já falou tudo.

    Ótimo o post gatinho. Parabéns! :D

  11. Comentário de: Marco

    Muito bom o texto … parabéns !!

    Fui…MrO…

  12. Comentário de: paulo

    pode crer.. hoje em dia o esporte é muito mais dinheiro e auto-promocao do que amor ao que se faz.. nao existem desportistas como os de antigamente.. vendo todas essas reportagens sobre a conquista de 58 que dá mais raiva dos jogadores de futebol atuais.. abraço

  13. Comentário de: Ronaldo Costa

    Foi bom saber sobre o IsFree! Tem alguns outros sites do genero, mas que nao chegam a altura!!!

    Abraços!

  14. Comentário de: Ronaldo Costa

    Só pra completar…
    Eu lembro qndo era moleque e acordava cedo pra brincar com os meus primos, e eu meu pai sempre lá grudado na tv vendo o Senna, nao a F1.
    Eu virava pra ele e dizia:
    - O Senna ta em primeiro?
    -Quase.
    - Entao quando tiver ultrapassando me chama!

    E continuava a brincar. :p

  15. Comentário de: Samuel Fortunato

    Fala Fred, toda semana tô aqui o seu blog e gostaria de parabenizá-lo não só pelos temas ecolhidos mas pelo incrível poder de produção textual, você escreve muito bem cara! Puxasaquismos a parte, um abraço aqui de Minas e vida longa a esse reduto de cultura que encontro aqui!

    Valeu!

  16. Comentário de:

    nossa sensacional!!eu admirava muito eles e acompanhava os respectivos esportes somente para vê-los em ação.E eu era bem novinha ainda, lembro exatamente do dia que o Senna morreu, chorei muito!! sempre gostei de basquete, agora boxe, gostava de ver só quando o Tyson lutava

  17. Comentário de: Vinicius Cabral

    Se me permite uma correção, o Jordan foi 6 vezes campeão da NBA (no Three-peat 91-92-93 e o Three-peat 96-97-98), ou sexa: hexa, e não hepta.

    Mas o post foi notável, 3 atletas que podem ser considerados os melhores de todos os tempos em suas modalidades… tirando o Tyson, que eu não ia muito com a cara, tive a felicidade de acompanhar a carreira dos outros 2… foi muito legal… tipo: meu pai falava do Pelé, e eu vou falar com os meus filhos do Jordan e do Senna.

  18. Comentário de: Vinicius Cabral

    Era “seja”, e não “sexa”… ok, criei o feminino de sexo…

  19. Comentário de: Isaque S. Barros

    Bem lembrado, belo texto, mais como você disse no fim, e eu também pude refletir sobre isso, não acredito que ralmente estajam faltando “herois”, mais sim o olhar daqueles que os veem, quando se é criança tudo parece ter um brilho a mais, acho que futuramente as crianças de hoje, olharão para traz e se lembrarão da mesma maneira que nos lembramos dos nossos desenhos,seriados e brinquedos, e para eles isso seria um maximo e também achariam que jamais apareceriam outros iguais ou melhores do que aqueles que eles viram, mais acredito que tudo esta na ôtica de quem vê.

  20. Comentário de: José

    Tuas crônicas são fantasticas cara!

  21. Comentário de: Tales

    Teu blog é demais cara…Foda!!!

  22. Comentário de: makarrao

    Pois é incrível, por mais que eu tente, não consigo sentir aquela “cousa” que havia ha uns 10 anos. A última referência que tive, mais próximo de um herói foi o Guga mesmo, além de ele ser daqui de Floripa.
    Acho que vai demorar pra termos outra “Era” dos heróis de verdade.

  23. Comentário de: Guilherme

    Sei que quis dar ênfase aos esportistas que você acompanhou quando era moleque, mas o Guga também era O CARA.

  24. Comentário de: Cleitoneletric

    Li teu lance, assistindo anos incríveis, saudades dos velhos tempos! parabéns pelo blog ta massa! visita o meu…

  25. Comentário de: vinícius

    mas o guga também já aposentou…

  26. Comentário de: Álvaro TAM

    Fala grande Fred.

    Passei por aqui por indicação de um colega de trabalho ( Erik, de Indaiatuba ), que me disse em blog você estava escrevendo atualmente, e já está favoritado, com certeza, pra visitas diárias.

    Concordo em partes com você. Sim, o esporte mundial anda carecendo dos “CARAS”, os mitos, que atraem multidões. “Pero no mucho”.

    No Tênis, temos o Roger Federer, o melhor jogador de todos os tempos, por sua destreza em todos os golpes, e jogar bem em todas as superficies ( claro, tem o Nadal que tira seu brilho no Saibro, e nada mais ), e o tempo vai dar a ele os números necessários para ser reconhecido como tal, pois falta pouco para ultrapassar o Pete Sampras.

    No MMA ( mais conhecido como Vale Tudo ), temos o Emelianenko Fedor. O Russo também é o melhor de todos os tempos no esporte.

    No Golf, o Tiger Woods é o cara.

    Natação, Michael Phelps.

    E em diversos outros esportes, tais como os de atletismo, o Os Manning e Tom Brady da vida, na NFL, e vários outros.

    Na NBA, outro Jordan, outro Larry Bird, outro Magic Johnson, outro Kareem Abdul-Jabbar, não existirão.
    Temos uma boa leva de bons jogadores, como o próprio Kobe Bryant ( que de novo sumiu nas finais ), o Garnett, o Lebron James ( que segundo especialista, só falta um “Scott Pippen” pra ele levar vários títulos ), Paul Pierce, e outros bons valores.

    No boxe, realmente, perdeu o encanto.

    E, de boa, o Mike Tyson não está nem entre os 20 melhores boxeadores de todos os tempos, mas era muito legal ver lutas dele, sem frescura de clinchs, e sim jabs, uppers, cruzados e diretos, mandando pra lona.

    Mas nossa geração é privilegiada, pôde assistir vários mitos dos esportes. Não ví Pelé, mas ví esses muitos que citei no (gigante) comentário.

    Abraço, e parabéns pelo blog.

    Descobri quem era o responsável pela parte que eu gostava, no JB.

    Grande abraço.

  27. Comentário de: Fábio Monteiro

    Fred, diferentemente de você, eu curto muito basquete (está na lista juntamente com o Tênis, squash e Rugby - difícil citar o melhor).

    Mas concordo com você quando diz que a NBA perdeu a graça com a saída de Michael Jordan. Acompanhei com muito orgulho diversos jogos no início na década de 90 e ainda tenho gravado em um VHS bem estragadinho o jogo do século no All Star Game 92 (Michael Jordan x Magic Johnson) Foi o melhor jogo que vi em minha vida.

    Por isso, gostaria de acrescentar que na mesma época de ouro de Michael Jordan, paralelamente teve o brilho de Magic Johnson.

    E falar de Michael sem citar a sua célebre frase e marca, é não fazê-lo por completo. Portanto aí vai: “Come fly with me”.

    Agora a lei da gravidade está completa…

  28. Comentário de: Abilio

    Acho q perdemos a aurea de criança, temos a mesma idade e sinto a mesma coisa. Não to nem aí se o Massa ganha, até acho legal, mas nao tem aquele ritual da familia inteira torcendo pro Senna. F1 assisto a largada so e as duas ultimas voltas…

  29. Comentário de: Daniel Barbosa

    Caros

    Só 1 correção, o Chicago Bulls de Michael Jordan é 6 vezes (Hexa) e não 7 vezes (Hepta) Campeão, como diz o post.

    []’s

  30. Comentário de: Daniel Barbosa

    Completando a informação, seguem os títulos:

    Temporada 90/91 - Bulls vence Lakers na final
    Temporada 91/92 - Bulls vence Portland na final
    Temporada 92/93 - Bulls vence Phoenix na final
    Temporada 95/96 - Bulls vence Seatle na final
    Temporada 96/97 - Bulls vence Utah na final
    Temporada 97/98 - Bulls vence de novo Utah

    []’s

  31. Comentário de: Japa

    Realmente…

    Tyson,Jordan e Senna… imbatíveis…

    depois deles meu maior ídolo era o Stallone :D

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  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 23 anos e um poço de sinceridade.