Após Sexto Sentido (1999), Corpo Fechado (2000), e Sinais (2002), M. Night Shyamalan foi considerado um dos diretores mais promissores de Hollywood. Contudo, seus trabalhos seguintes foram os fracassos A Vila (2004) e A Dama na Água (2006). Com o prestígio em baixa, Shyamalan lançou na última sexta-feira 13 seu novo suspense: Fim dos Tempos.

E decepcionou. De leve, mas decepcionou.

O cinema de Shyamalan não é tradicional. Ele tem o total controle das referências, sabe como deixar o espectador com a eminente certeza de que um desastre se aproxima. Um simples passeio no parque durante um dia de sol transforma-se num assustador cenário em poucos segundos. É assim que Fim dos Tempos começa, com um golpe impiedoso de realidade e uma boa dose de ânimo.

O filme tem como protagonista o casal Elliot (Mark Wahlberg) e Alma (Zooey Deschanel). Eles se vêem diante de misteriosos e inexplicáveis eventos naturais que assolam cidades da costa leste dos EUA, provocando uma onda de suicídios coletivos. De trem, de carro e a pé, o casal parte para outro estado, onde, supostamente, é uma área livre dessas mortes repentinas.

A familiar descrição dos sintomas desse mal súbito fala em três etapas: primeiro, vem a desorientação psicológica, depois, uma certa imobilidade física e, por fim, a perda total dos instintos de autopreservação que acabam levando o indivíduo a abdicar de sua própria vida. A paranoia americana entra em pauta, mas logo todos percebem que as causam estão acima do ser humano.

O povo entra em completo parafuso. O roteiro, idém. Depois de meia hora e uma dezenas de mortes definitivamente assustadoras - e algumas até engraçadas -, o filme começa a ficar cansativo e arrastado. Surgem personagens totalmente desnecessários que você sabe que vão morrer, pois não têm relevância alguma na trama. Sem contar alguns diálogos banais, como a cena em que Elliot conversa com uma planta. Artificial, ainda por cima.

Fim dos Tempos vale pelo conceito explícito de que existem coisas que o homem simplesmente não pode - e nunca irá - compreender. No mais, há sugestões de reflexão crítica contemporâneas, como o terrorismo e o aquecimento global. O filme cumpre sua missão: advertir sobre os problemas climáticos, um tema bem retratado. Ironicamente, talvez esteja aí o erro do diretor: ser pedagógico demais.

Quem vai assistir Fim dos Tempos espera os sustos e finais imprevistos recheados de reviravoltas que fizeram de Shyamalan um astro. E não somente um vento revanchista. Não trata-se de um filme completamente ruim, mas sim de outra expectativa frustrada de redenção do diretor.

Seguimos aguardando um novo Sexto Sentido. Ou algo tão bom quanto.

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Fred Fagundes

15 Comentários para “Fim dos Tempos”

  1. Comentário de: Colombina'Bibi

    Bom Dia Fred, tudo bem contigo?
    Olha só, estou longe de ser uma cinéfila, e muito menos uma crítica de cinema… Mas me atrevo a dizer que talvez esse filme seja um tanto quando ‘apelativo’. Talvez pela vontade de voltar a ‘brilhar’… Ou por puro achismo meu, mesmo.
    Esse filme não me passa expectativa nenhuma, assim como ‘A Vila’, ‘Sinais’ e ‘A Dama na Água’ (Não gostei desses três!)
    Talvez seja porque eu não goste de suspense, ou seria decepção pelos outros filmes?
    Enfim,como não gosto de falar sem nem ao menos tê-lo visto, vou ao cinema pra ter uma opinião formada… mesmo sem aqueeeela vontade.

    Do mais, queria deixar os parabéns, pois foi uma vitória mais do que merecida. =} [puxa-saquismo mode: off]

    Ah, e Sexto Sentido assombrou a minha infânca! *I See Dead People*. Medo.

    Beijones Fred, ótimo Domingo pra ti.

    *E a vitória do Grêmio, hein? Eee beleza!*

  2. Comentário de: Matheus Cunha

    Olá Fred!
    Sou um verdadeiro cinéfilo, fanático por filmes. Assisti “O Sexto Sentido” pela primeira vez no cinema, e o que mais me recordo são das sensações que tive ao assistí-lo naquele momento: o envolvimento no enredo, o susto na hora que a menina embaixo da cama segura o pé do Joel-Osment e aquela sensação única do “ele-estava-morto-o-filme-inteiro???”. Depois assisti ao “Corpo Fechado” que não um grande filme, mas se tornou cult pra mim (daqueles que sempre que eu vejo na TV eu assisto um pedacinho!), com a história de heróis/vilões e a ótima atuação do Samuel L. Jackson. Então veio “A Vila”…
    Eu criei uma expectativa muuuuuito negativa com “A Vila”, de tão mal que falavam desse filme! Eu assisti preparado pra tudo! Mas quando eu terminei, ainda com aquela cara de surpresa, eu pensei: “é ótimo!!!”. Não assisti a “Sinais”, nem “A Dama da Água”, mas entendo que o problema dos filmes do M. Night está em sua tentativa de atender à expectativa dos espectadores de um novo “Sexto Sentido”, e ele acaba se perdendo na tentatia de criar aquele “algo mais”, que transforma um bom filme em um evento histórico.
    Pra mim, o grande segredo de me divertir no cinema é entrar sem expectativas prévias e curtir curtir aquelas duas horinhas mágicas! Maiores reflexões, só dias, semanas depois! Com isso, até “Tudo Acontece Em Elizabethtown” vira um filmaço!!! =P

    Um abraço!!!

    P.S.: isso não vale para filmes da Xuxa/Didi! Esses não tem salvação!!!

    P.P.S.: parabéns pela vitória no Lista 10! Votei em vc!!!

  3. Comentário de: Rafael Arcanjo

    Eu não vi o filme, mas ontem ao assistir Hulk, nos traillers passou um pedacinho deste camarada ai.

    Tive a impressão de dejavu, não sei porque.

    Enfim, Hulk foi Foda e esqueci logo do trailler.

    Parabéns pela indicação do Lista 10. Mais que mereceido!

  4. Comentário de: Jairo Jair

    ” Eu vejo um cineasta morto…”

  5. Comentário de: Gracielle Galvão

    Ah! Eu esperava mais do filme, mas gostei um pouco sim…

    Ieiiiiiiiiiiiii, o blogueiro mais legal do Brasil.

    PARABÉNS GATINHO! :D

  6. Comentário de: Gracielle Galvão

    Espero, de verdade, que não tenha a eleição do blogueiro mais lindo do Brasil!

    Rummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

  7. Comentário de: Colombina'Bibi

    Viu só?! Melhora deixar a palavra pra quem entende do assunto!

    “Pra mim, o grande segredo de me divertir no cinema é entrar sem expectativas prévias e curtir curtir aquelas duas horinhas mágicas!”.

    Concordo… Mas bah, (pra mim) é difícil ter expectativa boa, quando os filmes anteriores não foram tão bons(minha opinião, claro!).
    Mais como eu disse, vou assistir, e depois dou meu veredicto.

    Enfim, é isso mesmo… senão faço um chat aqui! hahahahahahahhaa

    Beijoes denovo Fred, beijones Matheus.

  8. Comentário de: Diogo

    Assisti ontem esse filme, fiquei muito decepcionado, o roteiro é ruim, afinal o filme não tem final (que rima estúpida =]), e a edição então é muito porca, eu vi duas vezes o microfone aparecendo em umas cenas…

  9. Comentário de: Thiago Monteiro

    A maioria das pessoas que conheço realmente adoraram o sexto sentido, no entanto, a maioria odiou os outros filmes de M.Night Shyamalan.

    Ainda não assisti este novo filme, no entanto, acredito que ele seja bem agradável. Durante a semana verei se estou certo ou errado.

    PS: No caso do microfone, o problema não está na película, mas na projeção do cinema, que não fez o corte certo durante a exibição.

  10. Comentário de: icommercepage

    Estou achando que a primeira fase do diretor é a melhor. Não assisti o sexto sentido ainda mas assisti corpo fechado e sinais. Achei o diretor americado demais, longe de ser ruim, pelo contrário, a distância do cinema americano para o cinema mundial é como a distãncia do teatro para o cinema, ou seja, é preciso saber assistir e entender os seus recursos. A segunda fase do diretor eu não conheço. Essa turminha do CQC da tv bandeirantes é muito boa, mande um abraço para eles. Parabéns pelo primeiro lugar no lista 10, foi ali que eu descobri quem matou o tangerina. : )

  11. Comentário de: Mamendes

    Quero ver o filme mas não tenho muito tempo para ir ao cinema, vou esperar a chegada à locadora.

    Gosto do MNS, mas não gostei nem um pouco de Sinais. Meus preferidos são O Sexto Sentido e A Vila, que gostei muito.

    Ele deu uma entrevista dizendo que este novo tava mais pra filme B… talvez seja em parte a explicação.

    A outra explicação é que os filmes dele sempre aparentam ter muitos furos no roteiro… mas qdo vc assiste novamente acaba pegando umas coisinhas que passaram despercebidas de início…

    De qq forma ele foge do óbvio, o que já vale a pena a assistida.

  12. Comentário de: Larih

    Assiti 6ªf.[dia da estréia] esse filme… minhas expectativas em relação a ele eram as melhores… o trailer era o melhor d tds!Acho q boa parte d todos q o assistiram tiveram a msm idéia q eu no começo ‘Nossa deve se um filme relacionados a ET’s… espíritos… qm sbe?!’
    O filme não tem fim… não explica o q acontece com as pessoas q vêem tdas as outras morrerem e pq dessas não morrerem.. e os grandes vilões são as toxinas q as plantas soltam e são sensíveis aos seres humanos!¬¬”
    Resumindo… pense 2 vezes antes d assistir esse filme…se mesmo assim ficar em dúvida…da uma olhada no começo da a própria sinopse:’O filme expõe uma crise ambiental de larga escala que força a humanidade a combater a natureza para sobreviver…’ ¬¬’

  13. Comentário de: Raquel Gomes

    Um filme bastante conceitual, mas as suas interpretações sobre as mensagens do que shy quis passar são limitadas. Não é so questão ambiental que se tem nesse filme. Pode-se perceber inumeras criticas ao egoismo, individualismo das pessoas, por exemplo. Não creio que sua única missão seja alertar sobre problemas ambientais, mas principalmente sobre comportamento e sentimentos humanos. E por favor, “seguimos aguardando um novo Sexto Sentido” é revoltante. Um cineasta de verdade sempre traz coisas novas e não se restringe a repetir formulas que deram certo.

  14. Comentário de: Raquel Gomes

    Para se ver esse filme e interpretá-lo mais profundamente, é preciso ter sensibilidade e pensar mais metaforicamente do que a maioria das pessoas está acostumada. É dificil pessoal, mas só assim pra se aproveitar os filmes desse grande cineasta.

  15. Comentário de: ricardo

    “A vila” é ótimo, pra mim salva.

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  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 23 anos e um poço de sinceridade.