Um assunto pautou blogs, #nob’s e Twitter’s nos últimos dias. Tudo começou com uma ação de marketing da Coca-Cola para divulgar seu novo produto, o i9 Hidrotônico. A empresa enviou para nove blogueiros uma minigeladeira com uma garrafa da bebida e um making of do vídeo de lançamento. Foi o suficiente para a polêmica da venda de conteúdo editoral em blogs viesse à tona.
Ao anunciar o fato, o Blue Bus chamou os agraciados pela promoção de “blogs de aluguel”. E começou a treta. Os blogueiros se sentiram ofendidos. Post, twittadas e até dois blogs sobre o tema foram criados: Freelando pro Diabo e Blog de Aluguel. O Blue Bus é hoje o grande vilão da blogosfera brasileira.
A classe mostrou ser muito sensível.

O Blue Bus errou, e feio, aqui: “blog nao é um formato moderno de jornalismo?”. Não. O blog é um belíssimo meio de comunicação. Mas um blogueiro não é um jornalista e tampouco blog é um jornal. Uma pequena nota no rodapé de um impresso ainda tem mais significancia e confiabilidade - eu não disse visibilidade - do que cinco posts em blogs pessoais de não-jornalistas. O blog não é imprensa.
A acusação do termo pejorativo “blog de aluguel” é superficial e irresponsável. Conheço parte dos blogueiros que participaram da ação - Alexandre Inagaki, Bruna Calheiros, Caio Novaes, Guilherme Cury, Ian Black, Luiz Jerônimo e Nick Ellis. São blogueiros rodados, que não se deslumbram por qualquer mousepad ou frigobar de brinde. Eu tenho absoluta certeza que se o Nick, só por exemplo, achar o i9 uma grande merda, vai comentar que nunca compraria a bebida. Portanto, eles não definem o sentido de aluguel. Os blogueiros serviram como um ombudsman do produto, nada mais.
Ao mesmo tempo, alguns blogueiros precisam definir de uma vez por todas qual sua posição nesse tipo de campanha. O mesmo Rafael Ziggy que criticou o Blue Bus disse, há dois meses, sobre a ação Safari Urbano da LG: “estão querendo comprar blogueiros. mas acho mto melhor do que simplesmente dar uma esmola por um post pago” (sic). Memória curta.
Outro ponto que deve ser tocado em meio a tudo isso: qual o código de ética do blogueiro? Aliás, existe? O barato do blog é justamente ser democrático e independente. Mas a partir do momento que ele vira um meio de comunicação em massa, com blogs chegando a 100 mil acessos diários, audiência superior a um canal de tv fechada, algumas “regras” devem ser tratadas. Tal como o rádioamador, que detém uma série de normas para manter-se no ar.
O blogueiro, também, é amador. E reza a cartilha do profissional de comunicação - como bem lembra o Dahmer - não devemos nós, que trabalhamos com mídias de massa, aceitar “presentes” de empresas privadas ou mesmo “provinhas”, sob pena de perda da própria credibilidade, que é o nosso maior bem, como todos nós sabemos. Se a classe deseja se profissionalizar, nada melhor do que começar demonstrando respeito e dignidade ao leitor, o principal influenciado.
As empresas e agências não vão parar com essas ações voltadas a blogs. Acredito que a solução seria o blogueiro, após uma fase de testes e avaliações, devolver o produto à empresa. Iniciativa que uma empresa de computador fez com a Rosana Hermann, Carlos Merigo e outros blogueiros. Coisa que admito não ter feito quando participei do Safari Urbano, culpa da inexperiência e falta de princípios de outrora.
O resumo da ópera é o seguinte: a ação da Coca-Cola foi um tremendo sucesso. A bebida teve repercusão nos blogs que participaram da campanha, em outros que não ganharam nada e até em alguns portais. E em meio a toda essa paranóia, uma teoria ganha força: não seria o Blue Bus uns dos blogs envolvidos na ação?
E aqui? Será que esse post é de aluguel e eu nem sabia?
Se é assim, onde eu pego a minha geladeira?
Ironia.
O conceito de blog precisa ser revisado. Revisado e discutido. Ou uma hora perde-se o rumo e ficam os trilhos.
Blogueiro, faz-me informado. Mas faz decente.
Fred Fagundes


















